Resenha: O Gato Preto- Edgar Allan Poe

Conto: O Gato Preto
Título: Assassinatos da Rua Morgue e Outras Histórias
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Melhoramentos
Páginas: 24
Pontuação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
() Favoritado!

Sinopse: Edgar Allan Poe, é um verdadeiro gênio! Criador de uma literatura inquietante, ele maneja como nenhum outro a arte de aguçar a curiosidade pelo imprevisto, pelo terror. Sempre numa atmosfera de suspense, esse escritor norte-americano do século XIX - que inventou o conto policial e o thriller psicológico - junta em suas narrativas elementos perturbadores como o sobrenatural, o fantástico e o insólito. Os contos, repletos de mistérios, trazem detalhes minuciosos de sentimentos, lugares e personagens. E envolvem tão profundamente leitor, que este já não consegue escapar do extraordinário mundo de Poe.


Um homem e uma mulher, apaixonados por animais, são casados. De todos os bichos, um gato preto chamado Plutão é o animal favorito do protagonista. A afeição que o homem sente pelo gato começa a se transformar em irritação. O homem arranca uma das órbitas do bicho e depois o enforca. Algum tempo depois, um novo gato preto cruza o caminho do homem. Se não fosse por uma mancha branca no pescoço – que poderia ser uma marca do enforcamento – o gato seria idêntico ao Plutão.

Sentindo-se culpado, o homem fica atormentado com a presença do Gato. Em um momento de raiva e loucura, ao tentar matar o gato, a mulher o impede e o homem acaba a matando.

Depois de esconder o corpo atrás de uma parede, o gato também parece ter deixado o homem em paz. Durante uma das investigações, os policiais estão quase indo embora convencidos de que não há nada de errado, quando o protagonista bate na parede falando sobre como a casa tinha sido bem construída. Um som de criança gemendo seguido por um grito inumano faz a polícia descobrir o cadáver da mulher e o gato em cima dele. "Eu havia emparedado o monstro dentro da tumba!", frase final do conto.

“O Gato Preto traz um homem que, movido pelo abuso do álcool e pela ira provocada pelo amor incondicional que um bicho pode dedicar a seu dono, vê seu sentimento se transformar em perversidade, e acaba por enforcar seu gato. Perseguido pelo fantasma do gato, ele adota outro animal, que, com o passar do tempo, além de despertar a mesma aversão em seu dono, revela em sua pelagem a marca da forca. ”

No conto "O Gato Preto", Edgar Allan Poe apresenta ao leitor uma história carregada de violência, perversidade e insanidade. Nesse conto, narrado em primeira pessoa em forma de memória (ou relato), somos conduzidos pela jornada de um homem que vai de um extremo a outro, não só pelo seu vício em álcool, como também, pela deterioração de sua alma causada em decorrência dos seus atos bárbaros ou desumanos.

O modo desesperado e particular do personagem não traz nenhuma simpatia ao leitor quando ele passa a revelar cada um dos seus crimes horrendos. Pelo contrário, a ansiedade para que ele pague pelo que fez nos domina a ponto de quase deixarmos passar despercebido o fato de que o destino do personagem fora revelado quase que despretensiosamente, já que, além de isso ocorrer de forma sutil, logo após a revelação, o autor passa a centrar-se no efeito de causas e consequências que acompanha os infortúnios sofridos por um gato nas mãos desse homem, que se torna o seu algoz na mesma medida em que a loucura o mantém refém dentro de sua própria mente desajustada.

Escrito em 1843, "O Gato Preto" é alvo de análise textuais até os dias de hoje. Repleto de simbolismos, o conto é um convite para que os seus entusiastas façam suas apostas acerca da intenção do autor com determinados pontos e características que ele trabalha. Particularmente, me senti intrigado a respeito da natureza do gato a quem o seu dono chama de Plutão. 

Plutão é uma figura misteriosa, que transita entre as cenas exercendo importantes mudanças no humor do protagonista que, vai de uma figura descrita como apaixonada por animais, até o ápice de se tornar uma pessoa que maltrata animal. Nunca ficou comprovado que foi isso que o autor pensou no momento da criação, já que Poe jamais revelou a que se propunha com a caracterização dos seus personagens. No entanto, estudos dão conta de que durante muito tempo o gato foi uma figura associada ao ocultismo, mais precisamente as bruxas e, por isso, o autor teria escolhido esse animal para protagonizar essa história, haja vista que não são poucas as cenas em que Plutão surge e desaparece em circunstâncias misteriosas.

O fato dele ter recebido um nome tão pouco convencional também teria um significado, dessa vez, relativo a mitologia romana onde faria uma referência ao deus do submundo que nos mitos gregos é chamado de Hades. Isso mostra que a natureza do bichano talvez seja mais sombria do que a se supõe de início.

O fato é que, independente das suposições que leitores ao redor do mundo façam a respeito da história, é indiscutível que, mesmo para aqueles que não gostam desse tipo de leitura, irá se render aos mistérios contidos no enredo. Ainda mais quando Poe vai até o espaço limítrofe da consciência humana para cobrar dele um posicionamento quanto a questão de ser um homem racional ou supersticioso. Mais do que isso, ele também cobra do seu leitor uma análise dos seus sentimentos diante das atrocidades descritas em suas páginas.

É tão forte esse ponto, que é impossível não se estarrecer diante do modo magistral que ele transformou uma relação comum – entre bicho de estimação e dono – em algo chocante.

Em decorrência disso e por ser carregado de cenas macabras, é provável que os mais sensíveis se sintam incomodados do início até o final da leitura, visto que Poe não é suave nos momentos em que descreve cenas brutais de violência – tanto doméstica, quanto animal. E por mais que seja indigesto em determinados pontos, "O Gato Preto" se torna leitura fundamental para aqueles que desejam observar um desnudar da alma de um ser humano enlouquecido pela culpa.

O Conto é bastante intrigante e lhe instiga a entrar cada vez mais na história, um verdadeiro clássico da literatura. Recomendo a leitura desse conto bem curtinho, que não irá te levar muito tempo durante a leitura. Ele pode ser encontrado gratuitamente na internet, caso você não o tenha disponível em físico, já que as obras do Edgar são de domínio público. Mas um motivo para não deixar de conhecer esse conto e entre outras obras do autor mais conceituado do gênero Mistério/Romance sombrio.

Autor (a) da resenha: Luan Henrique de Almeida

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