Resenha: Um Perfeito Cavalheiro- Julia Quinn

ISBN-13: 9788580412383
ISBN-10: 8580412382
Ano: 2014
Páginas: 304
Idioma: português
Editora: Arqueiro
Tradutor: Cássia Zanon
Pontuação:  ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
() Favoritado!


Sinopse: Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse é um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, ela consegue entrar às escondidas no baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhce o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois, Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível. Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica.

Sophie é uma bastarda, filha do conde Richard Gunningworth, que a criou como sendo  sua pupila. A menina nunca o chamou de "papai", não que não desejasse. Mas porque o conde nunca lhe dera permissão para tanto. Ela o chamava de "milorde" e ele a "Sophia". Ela, no entanto, não tinha o que reclamar, pois tinha tudo que qualquer criança de sua idade poderia desejar. Mas, então, o conde resolveu se casar. O que foi uma notícia muito bem vinda para Sophie, ela agora ganharia irmãs de verdade, já que a nova condessa já tinha duas filhas, embora soubesse que não poderia referir-se a elas assim.

Porém, ao reconhecer o real parentesco de Sophie com o conde, a madrasta deixa logo aparente o seu desafeto pela menina e o seu descontentamento em ter suas filhas estudando com uma bastarda. E tudo piora na vida de Sophie após a morte do conde.

"-Meu marido- prosseguiu a mulher- sente uma espécie de dever equivocado com relação a você. É admirável da parte dele assumir os próprios erros, mas para mim é um insulto tê-la em minha casa, alimentada, vestida e educada como se fosse sua filha de verdade."

Já se pode imaginar como será a vida de Sophie após a morte do conde. A jovem é enganada e transformada em criada pela madrasta, que sente prazer em maltratar e humilhar a moça. Mas, a vida de Sophie muda completamente em uma noite, em um baile. Isso te lembrou algo? Sim, o livro foi baseado no conto da Cinderela.

Benedict é o segundo de oito filhos Bridgerton e tudo que desejava era, as vezes, é ser mais ele mesmo e menos o peso que seu sobrenome carregava. Não é porque não herdou o título de visconde que ele deveria ser sempre visto como mais um Bridgerton, um potencial partido, segundo as mamães casamenteiras. Ele apenas queria que desejassem conhecê-lo de verdade.E tudo muda em uma noite, em um baile, quando ele se depara com uma linda mulher misteriosa, que o deixa hipnotizado, despertando sensações nunca antes sentidas por ele.

Ao ter a oportunidade de conversar com a dama misteriosa, Benedict se ver encantado pela moça, que além de linda, era inteligente, divertida e lhe despertava a sensação de ter encontrado uma parte de sua alma que fora perdida. Com ela, Benedict começa a ver a possibilidade de se casar por amor assim como seus pais. Porém, como o conto da Cinderela, a meia noite Sophie deve voltar para casa antes que sua madrasta e as filhas cheguem e saibam onde ela esteve. E ela parte deixando, não o sapatinho de cristal, mas a luva de sua avó, Sarah Louisa Gunningworth.

"-O que está vendo?- indagou.
Sophie tropeçou, mas não tirou os olhos dos dele em nenhum momento.
-Minha alma-sussurrou.- Estou vendo a minha alma."

Só que nem tudo na vida é um conto de fadas e o jovem casal só se reencontra dois anos depois do episódio do baile. Expulsa de casa, Sophie vai para o campo trabalhar e no momento em que se ver em uma situação pra lá de desesperadora, eis que surge seu belo cavalheiro Benedict. O homem que, mesmo após dois anos, ainda povoa seus sonhos. Claro que Benedict não se lembra de Sophie, ainda mais estando ela com roupas que mais parecem trapos, totalmente diferente da moça do baile. Mas, mesmo assim, ele não deixa de reparar em como ela é bonita e o quanto lhe lembra alguém.

"Benedict suspirou. Estava longe demais para saber se a criada apreciava a atenção dos rapazes, mas, se não, ele teria que salvá-la, o que não era o que planejava fazer naquela noite. Nunca gostara muito de bancar o herói, mas tinha muitas irmãs mais jovens- quatro, para ser exato- para ignorar qualquer mulher em apuros."

Júlia Quinn foi fantástica ao escrever seu romance a partir do conto da Cinderela, transformando sua história em algo único, rico em detalhes, com uma mocinha totalmente diferente da  bela e frágil gata borralheira. Mesmo com todas as humilhações as quais ela tem que se submeter trabalhando, Sophie continua lutando, sendo forte.

Eu literalmente me rendi por Benedict. Ele me encantou do início ao fim, ainda mais por, mesmo desconhecendo as origens de Sophie, não se lembrar dela como a moça misteriosa do baile,  continuou a amando, sendo ele a luz que faltava na vida dela. E claro que o fato de  Sophie ser uma bastarda se transformou em um empecilho, já que ele, por ela não lhe contar a verdade, a queria apenas como sua amante. Mas mesmo assim, ele sempre se mostrava protetor, demonstrando seus sentimentos em muitas situações. A atitude dele pode ser mal vista por muitas leitoras, mas lembrem-se que naquela época os valores eram outros e qualquer coisa era motivo para manchar a reputação de uma mulher. E aquelas que não eram nobres, para ter uma vida melhor, deveriam se submeter ao papel de amante em busca de proteção.

"-Acho que vou beijá-la-murmurou ele.
-Acha?
-Acho que preciso beijá-la-acrescentou Benedict, parecendo não acreditar direito nas próprias palavras,- É como respirar. Não há muita escolha."

O livro segue a mesma linha dos anteriores, sendo narrado em terceira pessoa. Eu gostei muito do primeiro livro da série, mas esse foi o melhor até agora. O diálogo entre os dois é lindo e ao mesmo tempo engraçado. Aos mesmo tempo que estão hipnotizados de amor, estão soltando farpas, um provocando o outro.

"-Você não está sendo justo!
-E você não está sendo inteligente.
Benedict achou que seus argumentos eram bastante razoáveis, ainda que um pouco arrogante, mas ficou claro que Sophie não concordava, porque, para sua surpresa, ele se viu caindo de costas no chão, derrubado por um gancho de direita impressionantemente rápido.
-Nunca mais me chame de burra-sibilou ela."

Outro ponto que gostei foi a atuação de Lady Violet, mãe de Benedict. Graças a ela, que sempre parece enxergar além dos filhos, sendo uma boa mãe e amiga, faz com que o filho repense suas atitudes e coloque na balança o que ele acha mais importante na vida: o amor ou as convenções sociais. Sem falar do papel importantíssimo dela na vida de Sophie e Benecdict após os segredos revelados. Já cheguei até cogitar dela ser Lady Whistledown.

“Um Perfeito Cavalheiro” foi uma obra que me marcou pela sua intensidade de sentimentos, em que foi impossível não me apaixonar por este casal. Eles simplesmente são lindos juntos, e como disse Benedict, a alma um do outro.

"-Você é o motivo pelo qual eu existo-prosseguiu Sophie, baixinho.-O motivo pelo qual eu nasci."

Recomendo a obra na certeza de quem ler irá se render a obra, que foi muito bem escrita, carregada de muito amor e recheada de cenas divertidas, afinal estamos falando da família Bridgerton. 

Próximo livro da série:


Autora da resenha: Caroline Oliveira

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