Resenha: Sedução da Seda - Loretta Chase

Título: Sedução da Seda (As Modistas - 01)
Título Original: Silk is for Seduction
Tradução: Simone Reisner
Nº de Páginas: 304
Edição: 2016
Editora: Arqueiro
Gênero: romance de época

Sinopse: Talentosa e ambiciosa, a modista Marcelline Noirot é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: lady Clara Fairfax, futura noiva do duque de Clevedon.

Tornar-se a modista de lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna.

O duque se considera um especialista na arte da sedução, mas madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas.

Primeiro livro da série As Modistas, Sedução da seda é como um vestido minuciosamente desenhado por Loretta Chase: de cores suaves e românticas em alguns trechos, mas adornado com os detalhes perfeitos para seduzir.

A obra, ambientada na Inglaterra, tendo uma passagem pela França, retrata a vida de três irmãs que, vítimas da ambição e irresponsabilidade dos pais, tiveram que aprender desde cedo a como se cuidarem sozinhas.

Marcelline, Sophie e Leonie, as irmãs Noirot, As modistas, lutaram para ter um lar somente delas, e após muito esforço, elas conseguem montar um ateliê rentável, mas que precisa de clientes de renome, da alta sociedade londrina, para continuar a prosperar. E para isso, elas precisam mostrar a todos que os requinte das Noirot pode salvar a dama mais mal vestida da cidade, que nem mesmo a Trapos é capaz de fazer.



"A vida não era uma roda que girava sem parar. Nunca voltava ao mesmo ponto. Não se limitava a um simples vermelho e preto e um leque de números. A vida ria da lógica. Sob o manto de ordem imposta pelo homem, a vida era uma total anarquia."

Acontece que, a dama mais mal vestida de Londres, mas que possui uma beleza estonteante, é a futura noiva do duque de Clevedon, Clara Fairfax. E para convencer que somente as Noirot tem bom gosto e refinamento para vestir a futura duquesa, as irmãs armam um plano para atrair o duque e, consequentemente, Clara. Para elas, ter Clara como cliente da loja significa prestígio e mais encomendas de roupas para mulheres. Afinal, Clara será quem ditará a moda, todas irão querer vestir-se com o mesmo requinte de uma duquesa.

"- O senhor, entre todos os homens, sabe que a sedução é uma arte e que alguns de seus praticantes são mais talentosos que outros. Optei por aplicar meus talentos na costura de belos vestidos para as damas."


E assim, Marcelline parte para França, local em que Gervaise, o Duque de Clevedon, se encontra, para convencê-lo que a loja Noirot é o melhor estabelecimento para arrumar a futura duquesa. No entanto, o que começa como um pequeno flerte, torna-se uma atração irresistível, ao qual os dois se vêem presos, sem conseguirem se afastar um do outro.


Clevedon passou anos fugindo de suas responsabilidades, deixando para trás Clara que, embora não tivessem oficializado o noivado, tinham plena consciência do comprometimento um com o outro. Ele não tem dúvidas quanto ao seu amor pela jovem, mas desde que conhece Marcelline em Paris, a modista não sai de seus pensamentos, mesmo sabendo que ela apenas o ver como um meio para o fim. E que ela não passa de uma mulher arrogante, teimosa, uma comerciante, que visa apenas lucro, nada mais.


"Ele era um predador. Ela também era."

A obra é narrada em terceira pessoa, com um enredo sensual, bem humorado e repleto de reflexões. A história não gira em torno apenas do romance, mas de questões sociais sérias, que serão abordadas ao decorrer da narrativa.

A autora, que aborda a sociedade no século XIX, período em que a burguesia começa a ganhar destaque nas transações comerciais, traz as irmãs Noirot, três mulheres que lutam para sobreviverem com o próprio trabalho, ao contrário das mulheres nobres que continuavam a depender de seus maridos ou pais. Elas são livres e amam o que fazem, criar lindos vestidos, transformar a vida de muitas mulheres, fazerem se sentirem lindas e desejáveis. Sem falar que é com o trabalho delas que elas sustentam a casa, a família que construíram.


Marcelline foi uma personagem que me encantou. Ela representa mulheres não só do século XIX, mas também mulheres guerreiras, empreendedoras do século XXI, que lutam todos os dias para manterem suas famílias. Sem falar que, para a época, repleta de regras sociais, Marcelline é uma mulher a frente de seu tempo, que me lembrou muito de Georgina do filme A Duquesa. Ambas foram mulheres transformadoras da moda londrina, que mostraram o poder da sedução em estar bem vestida.

Clevedon, mesmo sendo um homem nobre (além de lindo), mostrou um outro lado dele que, além de ter conquistado mais ainda Marcelline, me conquistou também como leitora. Por trás da figura rígida, cheia de músculo, que não precisa trabalhar para sobreviver, ele é um homem gentil, amoroso, que mesmo em dúvida quanto ao seu papel esperado pela sociedade ou estar com quem realmente gosta, sem se importar com nada, ele não está preocupado com o que pensarão dele, mas o que suas ações acarretarão para as pessoas que o amam, que sempre estiveram ao seu lado.

"A vida não é perfeita. Mas prefiro vivê-la de forma imperfeita ao seu lado."

A autora mais uma vez nos agracia com uma história linda, mostrando que o amor vai muito além de convenções sociais ou mesmo dinheiro. A narrativa é divertida, com um teor de ironia na medida certa e com personagens apaixonantes. Sem falar que a interação entre Marcelline e Clevedon é algo incrível de ver. Eles parecem não perceber o quanto se parecem e que ambos são motivados por propósitos que acabam ficando em segundo plano após se conhecerem. Afinal, um sentimento muito maior, algo que eles mal conseguem definir, os unem, os fazem perder a noção de tudo que ocorre ao redor deles.

“Quando olhou para baixo e seus olhares se encontraram, certo e errado perderam o sentido. Eram da mesma espécie e os semelhantes se atraem. Ele a desejava. E ela, que conseguia lê-lo sem dificuldades, havia dito uma verdade incisiva após a outra.Sim, ele continuaria a desejá-la até conseguir tê-la. Então, se tudo fosse consumado, ele poderia se libertar dela.”

Há ainda uma personagem que me conquistou desde que foi apresentada na obra, mas que não irei falar para não dar spoiler. Eu espero muito que a autora escreva um livro sobre ela.

Também não posso deixar de falar de Lady Clara e do seu crescimento como mulher. Ela era o tipo de mulher subjugada por sua mãe, que não deixava ela tomar nenhuma decisão sem sua interferência. Ninguém demonstrava preocupação com seus sentimentos, com o que ela queria ou não. O único que não a tratava assim era Clevedon. E achei incrível sua transformação como mulher, o poder que ela descobriu em si de ser quem ela era, de não deixar mais ninguém controlá-la. 

Em Sedução da Seda, Loretta dá um gancho do que ocorrerá no próximo livro da série e como será a relações dos novos personagens. Só posso dizer que o protagonista de Escândalo de Cetim irá sofrer nas mãos de Sophie Noirot, a próxima protagonista.


Eu com certeza recomendo a leitura desta obra e estou muito ansiosa pelos próximos livros da autora. Sua escrita é cativante, com temas incríveis e bem atuais.


Próximo livro da série:

1. Saraiva
4. Amazon

3 comentários :

  1. Adorei a resenha ! Adoro quando misturam sensualidade e humor, já vai para a lista

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  2. Quero ler esse livro, já li um da mesma autora que gostei bastante. Além disso, amo romances de época!
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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  3. Amei a resenha. Comprei esse livro recentemente e tenho que coloca-lo numa tbr bem proxima. Já quero super ler ele

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