Resenha: A Fúria e a Aurora - Renée Ahdieh

Título: A Fúria e a Aurora (Livro 01)
Autor (a): Renée Ahdieh
Edição: 2016
Nº de Páginas: 336
Editora: Globo Alt


Sinopse: Personagem central da história, a jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada. Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado. 
Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga. 
Apesar de não ter perdido a coragem de fazer justiça, de tirar a vida de Khalid em honra às mulheres mortas, Sherazade empreende a missão de desvendar os segredos escondidos nos imensos corredores do palácio de mármore e pedra e em cenários mágicos em meio ao deserto.


A Fúria e a Aurora é mais uma prova da minha teoria de que livro com capa fofinha sempre tem uma história marcante por dentro. E com certeza essa história é encantadora, emocionante e envolvente, trazendo um belíssimo romance e várias lições de amor, vida e amizade. 

Khalid é o Califa de Khorasan, o Rei dos Reis, um tirano insano e assassino que a cada novo dia se casa com uma jovem diferente e, na aurora posterior ao casamento, ele a mata. Conhecido como o menino-rei, pois tem apenas 18 anos, ele é odiado e temido pelas famílias de Rey, que temem pela vida das filhas. A cada nova aurora surge a esperança de que alguma jovem finalmente encante o coração do menino-rei e finde com as mortes, porém, a cada nova aurora a esperança se esvai em tristeza com mais uma família enlutada pela prematura e brutal perda de uma filha. 

Sherazade — ou Shazi para os íntimos — é uma jovem de apenas 16 anos, com um espírito corajoso e guerreiro. Desde pequena, ela mostra que não é uma garota indefesa e frágil, muito pelo contrário, mesmo criada dentro de uma cultura e época machistas ela consegue se virar muito bem. 

E ela acaba de sofrer uma grande perda, sua melhor amiga, Shiva, foi mais uma vítima do menino-rei. A morte da jovem abala profundamente sua família e os amigos. Sherazade não consegue mais lidar com a situação e resolve tomar para si a responsabilidade de dar um fim aos assassinatos e se vingar de Khalid. Oferecendo-se para ser a próxima noiva do Califa, Shazi vai para o palácio com um plano orquestrado para matar o futuro marido. No entanto, Jahandar, seu pai, e Irsa, sua irmã caçula, são contra o arriscado plano. Como pai, ele se sente impotente diante da decisão da filha, entretanto, uma vez que Sherazade decide algo, nada a demove da ideia. Porém, sua decisão faz com que seu pai, um homem de espírito fraco, busque alternativas perigosas para ajudar a filha em sua empreitada.

“Esse menino-rei, esse assassino... ela não permitiria que ele destruísse outra família. Que roubasse outra menina de sua melhor amiga... uma vida repleta de lembranças do que tinha sido e do que nunca mais seria. ”

Alimentada pelo luto, pela mágoa e pelo ódio, Shazi segue com seu plano e, de algum lugar dentro de si, ela tira toda a calma, frieza e nervos de aço que precisa para passar pela noite de núpcias com o Califa. E logo após cumprir com seus deveres conjugais, ela começa a contar uma história ao menino-rei que que vê envolvido e ávido por saber o final, porém, quando chega o alvorecer e ela ainda não tem terminado, Khalid lhe concede mais um dia para viver para que possa terminar sua história. Sherazade sabe que está se envolvendo em uma situação arriscada, mas está disposta a apostar tudo o que tem para concluir sua vingança contra o monstro que ceifou a vida de sua amiga.

“Eu não deixarei de lutar Shiva. Vou descobrir a verdade e farei justiça por você [...] Mesmo que eu venha a morrer. ”

Em segundo plano temos Tariq, o primeiro amor de Sherazade, que ao descobrir o insano plano de sua amada, logo resolve usar de sua influência como futuro emir do quarto maior emirado de Khorasan, para tentar formar um exército contra o Califa e salvar sua amada. Desde que pode se lembrar, Tariq é loucamente apaixonado por Sherazade e fará qualquer coisa para livrá-la das garras do monstro com quem ela está casada. Ele irá contar com Rahim, seu melhor amigo e companheiro, e juntos unirão forças para impedir que Shazi tenha o mesmo fim das outras jovens. 

No palácio, Shazi acaba contando com aliados como Despina, sua criada pessoal, e Jalal o primo do Califa, entre outros, que discretamente a apoiam. Dia após dia Shazi continua com seu plano, encantando o rei com suas histórias sem fim, enquanto ganha tempo para elaborar a melhor forma de matá-lo. Nesse tempo, ela vai conhecendo mais sobre o reino e seu povo, e também vai descobrindo aos poucos que há muito mais por trás do menino-rei do que ele se permite mostrar. Sherazade começa a enxergar que ele carrega uma dor e sofrimento profundos, o que a faz se questionar sobre o motivo por trás dos assassinatos. 

Além de desenvolver um maior conhecimento sobre si mesma e seus sentimentos, em sua busca pela verdade e por sua vingança, ela começa a travar uma luta contra seus sentimentos, pois ao conviver diariamente com Khalid, se vê cada vez mais encantada pelo homem que ele se revela ser. E ao descobrir a razão por trás de todas as mortes, não tarda para se descobrir apaixonada pelo seu rei. Sherazade e Khalid descobrirão o que é amar verdadeiramente e até onde podem ir, os sacrifícios que precisarão fazer para proteger esse sentimento puro e verdadeiro.

“Quando ela enroscou seus dedos no cabelo dele para puxar seu corpo contra o seu, ele pausou por um instante, e ela soube, como ele soube, que estavam perdidos. Perdidos para sempre nesse beijo. Esse beijo que mudaria tudo. ”

Shazi é uma mocinha com grande personalidade — muito mais personalidade que metade das mocinhas que conheço. — Sua força e coragem são inspiradoras, a cultura em que vive é extremamente machista, porém ela consegue superar essas barreias. Acredito que a história também fala muito sobre empoderamento e podemos ver isso claramente em muitas cenas em que Khalid, o Califa de Khorasan, o Rei dos Rei, dar total liberdade de ação para sua Rainha, que ele tanto admira, sem se importar com a reação dos demais. 

Sherazade é o tipo de mocinha por quem é impossível não se encantar, não perde tempo com mimimis nem chiliques, ela pensa e age, e aprende com seus erros. E apesar da difícil situação em que se encontra, ela consegue raciocinar e buscar a melhor saída para tudo. Assim, tornou-se uma de minhas protagonistas preferidas.

“Quando você encontra aquele que a faz sorrir como nunca sorriu antes, chorar como nunca chorou antes... não há nada a fazer senão se render.”

Khalid, é o tipo de personagem que queremos colocar dentro de um potinho e guardar dentro do coração para sempre. De início somos apresentados a um tirano, mas que ao logo da trama percebemos não ser nada disso. Acredito que uma das grandes e mais belas lições dessa história é sobre o perdão, superação, o poder de transformação e libertação do amor. O Califa de Khorasan nos ensina a conhecer antes de julgar, por mais terríveis que as ações de uma pessoa possam ser. 

“—É um castigo merecido para um monstro. O de querer tanto algo... de ser capa de tê-lo em seus braços... e saber sem sombra de dúvida que nunca vai merecê-lo. ”

Quanto aos personagens secundários muitos deles acabam roubando a cena em muitos momentos, nos envolvemos com suas histórias que se cruzam ao longo da trama, ficando ansiosos e apreensivo sobre como suas ações repercutirão para Khalid e Shazi.

A Fúria e a Aurora é uma história sobre romance, aventura, fantasia e ação, banhada por uma mitologia incrível, em que podemos acompanhar o crescimento e amadurecimento dos personagens e o autoconhecimento que eles desenvolvem ao longo da trama. Com personagens fortes e cativantes, nos vemos rapidamente envolvidos. 

A narração é em terceira pessoa, o que nos permite ter ciência de todos os fatos ocorridos durante o enredo e não somente sob a visão de Shazi. A escrita é fluída, logo nos situamos dentro da mitologia aprestada pela autora, que soube explorar muito bem os elementos que criou. 

Tenho de dar os parabéns a Renée Ahdieh, pois ela foi muito feliz na criação de sua obra. Confesso que esse era um livro do qual não esperava grande coisa e fui totalmente surpreendida por uma história que me prendeu do início ao fim, e me fez sentir tantas emoções, principalmente com aquele final que me deixou com o coração na mão, louca para ler o segundo livro. 

Uma coisa que devo ressaltar e que me surpreendeu foi a maturidade dos personagens. Quando vi que eles teriam idade beeeem jovens 18 e 16 anos, logo imaginei que seria algo muito chato e mimizento, mas a autora apresentou dois personagens maduros, que sabiam lidar com as situações, e que não perdiam tempo com futilidades. Talvez pela cultura onde a história é ambientada, fosse exigido esse tipo de postura dos personagens, que só acrescentou a trama.

Então, leitura mais que recomendada!

P.s.: Espero ter conseguido passar para vocês pelo menos um pouco da minha paixão por essa história, pois quando fico muito empolgada nunca consigo me expressar da forma que quero...


Próximo livro:

1. Amazon
2. Saraiva

1 comentários :

  1. Parece com a história das Mil e uma noites . Adorei sua resenha

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