Resenha: A Rosa e a Adaga - Renée Ahdieh

Título: A Rosa e a Adaga
Autor (a): Renée Ahdieh
Edição: 2017 
Nº de Páginas: 366
Editora: Globo Alt



Sinopse: A esperada continuação de A Fúria e a Aurora, inspirado no clássico As Mil e Uma Noites Sherazade chegou a acreditar que seu marido, Khalid, o califa de Khorasan, fosse um monstro. Mas por trás de seus segredos, ela descobriu um homem amável, atormentado pela culpa e por uma terrível maldição, que agora pode mantê-los separados para sempre. Refugiada no deserto com sua família e seu antigo amor, Tariq, ela é quase uma prisioneira da lealdade que deve às pessoas que ama. Mas se recusa a ficar inerte e elabora um plano. Enquanto seu pai, Jahandar, continua a mexer com forças mágicas que ele ainda não entende, Sherazade tenta dominar a magia crescente dentro dela. Com a ajuda de um tapete velho e um jovem sábio e tempestuoso, ela concentrará todas as suas forças para quebrar a maldição e voltar a viver com seu verdadeiro amor.

O desfecho da arrebatadora dualogia de Renée Ahdieh, começa exatamente do ponto em que A Fúria e a Aurora terminou: Tariq e Rahim fugindo do palácio com Sherazade — que foi obrigada a partir — para o acampamento onde se concentra o exército que Tariq, junto com seu tio e aliados, reuniu para derrotar Khalid. Shazi está em um ambiente hostil, sendo considerada uma traidora, pois agora está do lado daquele que todos naquele lugar consideravam o monstro dos monstros. Ela é a única ciente da verdade por trás dos atos do Califa. E também, por causa desse conhecimento, ela sabe que deve se manter afastada de Rey até que encontre meios de quebrar a maldição e possa voltar para os braços de seu amado.

“[...] Seu forte e orgulhoso rei. Seu belo e arrasado monstro. O garoto que ela amava além das palavras.[...]”



Enquanto tenta descobrir como fará para ajudar seu amado, ela desfruta forçadamente de um tempo ao lado de sua irmã e de seu pai, — não que ela não os ame, pelo contrário, eles são tudo para ela, porém a situação não é propicia — que ainda enfrenta as consequências de seus atos. Irsa, a irmã de Shazi, tem um maior destaque dentro desse livro e vemos seu crescimento e amadurecimento, também percebemos que muitas vezes ela esteve à sombra da irmã e foi subjugada sem ter chance de provar seu valor e coragem. Mas, finalmente ela poderá  provar isso a si própria e aos outros. Sherazade também terá de conviver com Tariq que ainda não aceita o fim de seu romance e é incapaz de acreditar que sua amada foi capaz de se apaixonar por um monstro. A relação entre eles está abalada e Shazi não é capaz de confiar mais no homem que foi seu primeiro amor.



“A dor da perda de algo que ainda não partiu é grande. Maior do que qualquer coisa que ele já tenha sentido. ”


Khalid está desolado sem sua joonam e para conseguir lidar com a falta de sua Rainha e ser útil para seu povo e sua cidade, ele passa os dias afastado do palácio, ajudando anonimamente a reerguer a cidade da devastação causada pela tempestade invocada por Jahandar. A cada dia que passa, ele sofre mais pela falta de sua esposa e pelas consequências da maldição.

Após um sonho revelador, Sherazade descobre por onde deve começar a procurar ajuda para quebrar a maldição de Khalid. Ela orquestra um plano arriscado, mas necessário, para chegar até Muza Zaragosa que é o único que poderá lhe fornecer meios para dar um fim a maldição e ao sofrimento de seu marido. Entretanto, a jornada de Sherazade e Khalid está longe de ter um desfecho fácil. Eles enfrentarão muitos perigos, viverão emocionantes aventuras e terão de lidar com traições dolorosas e inesperadas, mas sempre unidos e munidos com seu amor que se torna cada vez mais forte e bonito!

“Era porque ambos eram as duas metades de uma só coisa. Ele não pertencia a ela. E ela não pertencia a ele. Ninguém pertencia a ninguém. Ambos eram um só. ”

Uau! Que livro maravilhoso, que história incrível! Definitivamente estou in love por essa dualogia e seus personagens. Khalid está ainda mais apaixonante que no livro anterior, quero colocá-lo em um potinho e guardá-lo só para mim! E Sherazade provou ser a melhor mocinha que você respeita! Renée Ahdieh foi novamente muito feliz na condução da trama — mesmo tendo cometido alguns deslizes que falarei mais à frente — ela soube dosar cada elemento, explorou ainda mais sua mitologia, trouxe novos e cativantes personagens, deu maior destaque a outros já presentes na trama e soube fazer as reviravoltas! 

O desenvolvimento do romance entre Khalid e Shazi é descrito com tal perfeição que me emocionei. A forma como eles demonstram seus sentimentos, cada toque, cada palavra, cada gesto é muito lindo, e novamente fui surpreendida, pois esperava que ao se reencontrarem fossem fazer uma tediosa "lavagem de roupa suja" entre eles e não houve isso. Ao contrário, foram muito maduros o tempo inteiro.

E falando na maturidade dos personagens, outro ponto que a autora acertou e muito, foi na resolução desse triângulo entre Sherazade, Khalid e Tariq, que cena mais fantástica. A forma como Khalid e Tariq se resolveram foi simplesmente fantástica, não esperava por isso de forma alguma, já tinha feito minhas apostas que Tariq agiria de forma totalmente diferente da que agiu. Uma cena emocionante — com toques cômicos — pois, por mais que eu torcesse pelo Khalid, o Tariq também me arrancou suspiros. Ambos são merecedores de amar e serem amados, o que torna tudo muito complicado, mas Renée soube conduzir sua obra com maturidade e sem desviar seus personagens da sua essência. 

Ainda falando de pontos positivos: todas as pontas soltas foram aparadas, a autora resolveu tudo o que tinha para resolver, e a questão do empoderamento é explorada ainda com mais força. Achei brilhantes algumas cenas em que fica bem claro essa questão, Sherazade lacrando na história mostrando seu poder, o poder de uma mulher forte e de garra que não se acanha diante dos desafios! Além da forte participação de outras mulheres que foram peças-chave para o desfecho dessa história.

Como pontos negativos, devo dizer que em certos momentos a autora correu um pouco quando poderia ter explorado com mais calma algumas questões. Infelizmente, ela também não explorou a fundo os poderes de Sherazade, que deixou claro desde o primeiro livro que existiam, mas não foi realmente a fundo sobre. Mas o que realmente me incomodou foi um detalhe quase nas últimas páginas do livro, que não vou dizer o quê. Se quiserem saber corram para ler! Mas, para mim, foi imensamente desnecessário. Renée deu um grande foco a isso durante a história, só para no final desconstruir....

Apesar desses detalhes, não enfraqueceu a qualidade da história. O livro continua a ser maravilhoso, emocionante, doce, fascinante e cheio de lições. Uma leitura gostosa, pois a escrita é bastante fluída ao ponto de sequer sentir as páginas passarem. Para quem curte romance com toques de fantasia, ação e aventura, esse livro é um prato cheio!


4. Amazon

1 comentários :

  1. Sempre fiquei curiosa com esta duologia, mas me desanima ultimamente histórias muito longas tipo série. Gostei da resenha , muita bem elaborada .

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