Resenha: A Rosa do Inverno - Patricia Cabot

Título: A Rosa do Inverno
Autor (a): Patricia Cabot
Edição: 2008 
Número de Páginas: 416
Editora: Essência 

Sinopse: Acostumado a conseguir qualquer mulher, Lord Edward Rawlings enlouquece com a sensualidade de Pegeen, que estava longe de ser a tia solteirona que ele havia imaginado. Mas Pegeen não está disposta a fazer mais concessões além de mudar-se, pelo bem de seu sobrinho, para a mansão dos Rawlings na Inglaterra. No entanto, ao chegar lá, ela logo percebe o risco que corre. Sempre movida pela razão, Pegeen sente que dessa vez seu coração está tomando as rédeas. Ela pode resistir ao dinheiro e ao status, mas conseguirá resistir a Edward?
A Rosa do Inverno é um romance leve, com boa dose de romantismo, forte aroma de sensualidade e uma pitada de suspense. Fala de paixão arrebatadora e indevida, de destino e escolha. Mas, sobretudo, é uma história que acende o debate sobre a condição feminina, o papel, os desejos, os temores da mulher. Ao confrontar o instinto de se entregar a um homem e a decisão de manter a independência, a Patricia Cabot faz do livro um espelho dos dilemas femininos.


“Uma imagem inesperada e espontânea daquelas mãos no seu corpo fez com que seu rosto ficasse bem vermelho. Santo Deus, o que ela tinha na cabeça? Tinha conhecido o homem havia pouco mais de uma hora e já estava tendo fantasias sobre...”

Lord Edward Rawlings era o segundo e único filho vivo do recém-falecido duque de Rawlings, portanto, o único herdeiro ao ducado, que era um dos maiores de toda a Europa. Só havia um pequeno — grande — problema: Edward não queria assumir o título por nada no universo! Afinal de contas, com o título vinham as responsabilidades e não apenas as festas e Ladys dispostas a agradá-lo. Como quem corre do diabo, para evitar assumir o ducado, Edward se agarra a sua última esperança: encontrar seu sobrinho, filho do falecido irmão, fruto de um casamento indesejado, mas que era o legítimo herdeiro ao título.

Edward designa um de seus subordinados para cumprir a missão de encontrar o tal menino e trazê-lo para assumir o ducado. Messes se passam até que Sr. Arthur Herber encontra o garoto nos confins da Escócia, aos cuidados da tia materna, — solteira e liberal — filha do falecido vigário da aldeia. A situação do menino e sua tia não é das melhores, vivendo em uma situação de pobreza e dependendo da caridade da Igreja. Mesmo nessas circunstâncias, o menino se recusa a sair de perto da tia, essa que também se recusa a sair da pequena e decrepita propriedade no vilarejo para ir morar na mansão gigantesca de um libertino, que em dez anos nunca se pronunciou para ajudar na criação do sobrinho.

A par da situação, Edward não se dar por satisfeito e, mesmo contrariado pelo fato de a tia solteirona do menino ser uma liberal de língua ferina, ele toma para si a incumbência de trazer o jovem duque para casa. Assim Edward viaja até a Escócia na intenção de convencer a cunhada a mudar de ideia. Ele só não esperava encontrar no lugar de uma velha decrepita uma jovem de beleza singular, punho forte e ideias mais fortes ainda. Um desejo louco e desenfreado toma conta de Lord Edward que terá de lutar muito para não ceder aos encantos da moça. 

Pegeen MacDougal é uma jovem de apenas vinte anos, mas dona de fortes opiniões e ferrenha defensora do movimento liberal. Ao contrário das demais moças de sua idade, sua ideologia não está focada em casar-se e constituir família, ela luta pelos direitos igualitários não somente entre classes sociais, mas também entre os gêneros. Há um ano, desde o falecimento de seu pai, ela toma conta sozinha de seu sobrinho endiabrado e é a única provedora da singela casa em que vive. Quando se depara com Lord Edward a sua porta, sua primeira reação é escorraçá-lo, mesmo que ele a tenha ajudado a se livrar do insistente vigário que reluta em aceitar a recusa da moça a sua proposta de casamento. 

Após uma muito acalorada (que calor, ula lá) discussão, Pegeen, sob uma série de exigências, aceita mudar-se com o sobrinho para o Solar Rawlings, afinal, ela percebe que lá não terá de se preocupar com o sustento de Jeremy, seu sobrinho, e o mesmo terá uma vida melhor. Se para Jeremy a vida agora estava garantida, para Pegeen a vida entraria em um turbilhão de emoções complicadas e confusas. Ao dividir o mesmo teto com Edward, ela percebe que se torna ainda mais difícil negar o desejo ardente entre eles. É  que ela simplesmente não pode resistir ao mínimo toque do impertinente cunhado, da mesma forma que Edward não consegue resistir aos comentário e opiniões afiadas da concunhada sem acabarem aos beijos e amassos aos cantos da casa. 

“[...] Você tem certeza que é da Escócia e não da Irlanda? Porque eu poderia jurar que você é uma bruxa daquelas terras...”

O que era um risco, pois, ambos poderiam ser facilmente descobertos, uma vez que o Solar Rawlings estava constantemente cheio dos amigos — de vida hedionda — de Edward. Um fato que Pegeen não o deixava esquecer, pois essa sempre criticava os erros da alta sociedade e, principalmente, criticava o tipo de companhia que Edward tinha ao seu redor, fazendo-o refletir sobre essas questões. Logo ele percebe que o forte caráter da moça remete ao de sua própria mãe, fazendo-o dar-se conta que ela não era simplesmente uma baixinha incômoda, filha virgem de um vigário, mas sim uma mulher diferente de todas as que já conheceu, digna do seu respeito e afeto.

“ — Como ousa? Como você ousa ameaçar ir embora, sua mulherzinha sem coração? Meu Deus, você acha que me importo com o que sua irmã fez para o meu irmão ou com o que meu irmão fez para a sua irmã? Você é tudo em que eu consigo pensar durante dias e dias. Desde o momento em que a vi naquele degrau de entrada em Applesby, eu a quis. E não vou continuar a jogar os seus joguinhos...”

Os sentimentos de Edward por Pegeen começam a aflorar, ao ponto em que ele não deseja mais negá-los, apenas afirmá-los. Porém, a moça é obstina e tem na cabeça o pensamento de que o casamento nada mais é do que uma força de submissão feminina e não deseja entrar nessa instituição falida. Mas, esse não é o único motivo pelo qual Pegeen não aceita casar-se com Lord Edward, ela guarda um segredo antigo que pode fazê-lo vir a odiá-la.

A Rosa do Inverno foi minha primeira experiência com Patricia Cabot. Já li muitos livros de Meg Cabot, para quem me acompanha aqui no blog sabe que sou super fã dos livros de Meg, amo a escrita dela e agora me vejo apaixonada pela escrita dela sob pseudônimo. A grande diferença desse livro para os infanto-juvenis é que nesse ela detalhou um pouco mais as cenas hot, mas continua a nos presentear com personagens deliciosos de acompanhar, uma leitura fácil e, infelizmente, muito rápida, pois adoraria ter um pouco mais de Pegeen e Edward e todos os outros personagens. Edward, além de sedutor, era sincero e direto. Pegeen é uma mocinha a frente de seu tempo e cheia de ideias revolucionárias, o tipo de mocinha que amo. E tinha o Jeremy, a cerejinha do bolo, um pestinha que promete ser um duque memorável (risos).

Um livro que consegue equilibrar romance, comédia, críticas sociais e tudo regado com muita sensualidade. Uma leitura prazerosa, em que rapidamente nos apaixonamos pelos personagens e ficamos ansiosos pelo desfecho do enredo!



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