Chá da Tarde: A Mulher Na Sociedade Londrina



A mulher sempre teve papel fundamental na construção das sociedades, mas comumente, vemos em romances de época, e até mesmo históricos, que havia muito preconceito para com a figura feminina. E podíamos falar aqui sobre várias sociedades, francesa, norte americana, ou mesmo o Brasil, e em todas elas veríamos a constante valorização do homem e inferiorização da mulher.

Assim, focaremos nosso debate na sociedade Londrina por ser o local escolhido por várias obras literárias do gênero romance de época.

Mas, antes de chegarmos a Londres, Inglaterra, gostaria de fazer um retrospecto histórico para mostrá-lo como a sociedade, desde sua base, é machista.


Talvez você já tenha lido ou assistido algum documentário acerca de como viviam nossos ancestrais, ou mesmo deve ter visto alguma mulher se referir a um homem como "primata", "homem das cavernas". Essas expressões eram e ainda são utilizadas para designar homens que se comportam de forma bruta, que se acham os únicos provedores e acham que as mulheres são meros objetos de satisfação e procriação. Na Grécia, para se ter uma ideia, as mulheres não tinham poder de voz e eram vistas como uma propriedade de seus maridos. Até as prostitutas tinham mais liberdades do que as mulheres casadas. E isso não mudou muito com os anos.  

Muitas leitoras já devem ter vistos nos romances de época como as mulheres eram tratadas. Em Londres, os bailes serviam como um mercado para arranjar casamentos. E muitos eram arranjados ali mesmo entre uma taça e outra de champanhe como se estivessem falando do tempo e não da vida de duas pessoas. Quem leu a série dos Brigertons, da autora Julia Quinn, deve ter percebido como isso é algo bem destacado no enredo. Violet é a típica mãe casamenteira, que deseja ver seus filhos casados e felizes. Quem não se divertiu com as artimanhas dessa mamãe casamenteira? 



Os homens eram vistos como libertinos e isso era até considerado algo bom, pois significava que, após o nascimento do filho herdeiro, eles podiam viverem suas vidas separadamente, sem precisarem compartilhar o leito nupcial. Mas, enquanto os homens, agora casados, voltavam para a vida de libertinagem, mantendo amantes, suas esposas deveriam ser o exemplo de mulher "recatada e do lar" (mesmo que algumas dessem umas escapulidas). É só ler os romances de Judith McNaught, principalmente em Um Amor Maravilhoso, que você verá como essa ideia de que casar com um libertino era vista como algo bom, já que depois do nascimento do herdeiro ele deixaria a mulher em paz e procuraria uma amante para afagar seus desejos primitivos.


“- (…) Por que é aceitável que os homens sejam libertinos, mas não que as mulheres possam usufruir das mesmas liberdades?”  (Codinome Lady V - Lorraine Heath)


Se alguma mulher, por algum motivo, se desviasse da moral e dos bons costumes... Aí a coisa ficaria séria para o lado dela. A família chegava até mesmo expulsar a moça de casa, ainda que essa fosse inocente ou tivesse sido enganada por algum homem, afinal, ela seria acusada de ter provocado a situação e o rapaz não teve como fugir de suas garras.

Havia ainda casos em que as mulheres eram abusadas sexualmente e também expulsas de casa por "terem provocado" tal situação. E assim, muitas dessas moças para sobrevirem se submetiam a qualquer tipo de situação, desde a casarem com qualquer homem que as quisessem ou, em último caso, a se tornarem "mulheres da vida". E isso é algo bem marcante na obra de nosso escritor José de Alencar, em  Lucíola, uma moça que, após ser estuprada, é expulsa de casa pelo pai que acha que ela é uma perdida, uma mulher da vida, que desonrou a família.

Claro que haviam mulheres a frente de seu tempo, que enfrentavam e escandalizavam a sociedade Londrina com pensamentos revolucionários. E também haviam homens que as apoiasse, mesmo tendo suas condutas reprováveis. Quem não leu Ligeiramente Escandalosos, de Mary Balogh, e conheceu a personagem Freyja Bedwyn? Ela era uma mulher que desafiava as convenções sociais, que desejava ser livre e que não aceitava ser inferiorizada pelos homens ou mesmo que a tratassem como se fosse frágil, uma donzela em perigo.
E mesmo que houvesse essas mulheres revolucionárias, outras tantas eram ensinadas em escolas para meninas como deveriam ser um "boa dona de casa". Suas próprias mães lhe ensinavam a serem a assim. E os livros, romances daquela época, eram vistos como monstros deturpadores da moral e dos bons costumes. Poucas meninas tinham acesso a livros, ou mesmo sabiam ler e escrever.

Quando vemos uma mocinha diferente, que se opõe ao sistema patriarcal, machista nos romances de época, simplesmente nos encantamos por ela, por ser tão forte, tão dona de si. E quando ela trabalha, tem seu próprio negócio, como Marcelline Noroit, personagem de Sedução da Seda, de Loretta Chase, o leitor só falta entrar no livro para venerar a mulher, por ela ser tão independente, por não se importar nenhum pouco com o que a sociedade acha ou não reprovável, pois há outras coisas mais importantes para se preocupar, como as contas a pagar. 

E mesmo que a sociedade Londrina fosse tão preconceituosa com relação a mulher, a própria história do país Inglês mostra que ele já foi governado por mulheres que comandaram de forma surpreendente a Inglaterra, talvez até melhor que muitos homens.

Ainda bem que, não só Londres, mas as sociedades como um todo tem mudando com relação a mulher, que vem ganhando cada vez mais seu espaço. Claro que a luta ainda será árdua, afinal, estamos falando de anos e anos em que impera uma mentalidade machista, que colocou o homem como o centro de tudo, que lhe deu o papel de superioridade com relação as mulheres. E isso, inclusive, não foi feito somente pelo homem, mas as próprias mulheres criavam seus filhos com essa mentalidade. 

Então, cabe a nós mulheres esclarecidas educarmos nossos filhos (homens e mulheres) para que se respeitem mutuamente, de que não existe superioridade entre os sexos. Homens e mulheres são diferentes fisicamente, mas devem ser iguais em direitos e deveres.



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