Resenha: A Garota das Sapatilhas Brancas - Ana Beatriz Brandão

Título: A Garota das Sapatilhas Brancas
Autora: Ana Beatriz Brandão

Edição: 2017

Nº de Páginas: 182
Editora: Verus Editora


Sinopse: Ele foi o farol que a salvou da escuridão. Ela devolveu as cores ao mundo dele. Da mesma autora de O garoto do cachecol vermelho

Daniel Lobos vive a vida plenamente. Dono de um coração enorme, o jovem divide seu tempo entre duas paixões: a música e as causas sociais. Até que seu caminho cruza o de Melissa, uma bailarina preconceituosa e mesquinha, que põe à prova aquilo em que ele mais acredita: que todo mundo merece uma segunda chance.

Este romance mostra, através das lembranças de diversos personagens já conhecidos em O garoto do cachecol vermelho e amados pelo leitor, como as nossas decisões podem afetar o nosso destino.
Respire fundo e venha descobrir o que levou Daniel a ter tanta fé em Melissa, quando ninguém mais acreditava nela. Toda história tem dois lados, e agora é a vez de conhecer a do garoto do cachecol vermelho.


Em primeiro lugar, para quem está pensando que A Garota das Sapatilhas Brancas é apenas um POV, vai parando por aí porque não é. Ele é um Spin Off, em que a autora pincela sobre diversas cenas importantes que não estavam presentes em O Garoto do Cachecol Vermelho, uma vez que este era contado apenas pelo ponto de vista de Melissa. Cenas novas e contadas por outros personagens de dentro da história ajudaram a compor a trama.

“Foi naquela época que aprendi que, não importava quão boa uma pessoa fosse, nada poderia protege-la de seu destino, fosse ele bom ou ruim. Mas que apensar de toda a injustiça que o universo pode ter nos preparado, devemos pelo menos tentar fazer a nossa vida valer a pena. Não é a vida que importa, mas como a vivemos, como tocamos o coração dos que nos cercam e o legado de amor que deixamos para aqueles que ficam quando partimos. ”

Em segundo lugar, as cenas apresentadas, muitas delas na visão de Daniel, são de momentos importantes antes mesmo de Mel e Dani se conhecerem, assim nos é permitido conhecer mais da personalidade desse personagem que tanto nos cativou, conhecemos novas facetas de Dani Dani, e podemos observar que o garoto cheio de vida, auto astral, e altamente filosófico, era um ser humano cheio de dúvidas, medos e que também teve um passado travesso.

“Nem sempre nos apaixonamos por aqueles que merecem o nosso amor. Aliás quem somos nós para saber quem merece o quê? Além disso, eu não entendia a insistência deles em achar que eu era algum tipo de divindade intocável que nenhum ser humano na face da Terra merecia. Daniel Oliveira Lobos, assim como todas as outras pessoas no mundo, era um ser humano, um mortal. ”

Em terceiro lugar, ao meu ver, a história de A Garota das Sapatilhas Brancas, foi o fechamento que faltava para encerrar com chave de outro a história da bailarina quase insuportável e do vândalo, em que a autora nos permitiu ter esse alento.

“[...] O sofrimento não é de todo ruim — ele serve para nos fortalecer, provoca cicatrizes em nosso coração que nos lembram como somos fortes e capazes de nos reerguer depois de cada tombo. Mas não devemos achar que podemos superar tudo sozinhos, e sim compartilhar nossa dor e nossos medos com as pessoas que nos amam. Segundo ela, o amor cura qualquer dor. ”

As cenas não estão em ordem cronológica, acredito que estão por ordem de importância que a autora achou necessário para que o leitor pudesse compreender melhor a mente e as atitudes de Daniel, mas todas giram em torno do trágico acidente. É de fato um livro muito emocionante e belo, em que podemos aprender novas lições sobre amor, fé, esperança, perdão, família, segundas chances e como a vida colorida é mais bela.

A minha experiência com esse livro foi muito boa, adorei estar na mente do meu vândalo favorito, adorei conhecê-lo melhor. Acredito que me apaixonei ainda mais e mais por ele. Ver o tamanho da força que ele teve, sua capacidade de resiliência, seu amor pelo próximo, e como ele sempre pensou nos outros antes de si, até mesmo nos piores momentos. 

Conhecê-lo pelos olhos de Melissa foi bom, mas conhecê-lo através de sua própria ótica foi intenso e incrível. Diversas cenas me chamaram a atenção, principalmente as que envolvia sua família e como ele lidou com a doença desde o momento em que a descobriu até o final. Duas cenas em particular mexeram comigo, ambas me fizeram chorar rios, mares e oceanos, mas também me fizeram compreender o "porquê" do que aconteceu, acredito que agora entendo  e também aceito melhor, pois há um ano li O Garoto do Cachecol Vermelho e ainda me encontrava processando a história. Acredito que finalmente consegui encerrar essas questões na minha mente, encerrei meu processo de luto literário.

No mais, só tenho a dizer que A Garota das Sapatilhas Brancas é uma leitura necessária para aqueles que leram O Garoto do Cachecol Vermelho. Então leiam, se emocionem e se apaixonem novamente por esse vândalo!

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