Entrevista: Janaina Rico

O Blog Carpe Diem Literário entrevistou a autora Janaina Rico. Formada em Direito e concursada, trocou os códigos pelas artes e se transformou em escritora e atriz. Autora de mais de seis livros, conquistou os leitores com seu romance erótico "Um doce de Confeiteiro", ao abordar uma história sensual cheia de guloseimas. A obra, em menos de seis meses de lançamento, alcançou um milhão de páginas lidas na Amazon, além de ter sua primeira tiragem de 1000 exemplares esgotada. Confira nossa entrevista com a autora!

1 - Conte-nos um pouco sobre você.
Eu sou uma pessoa que sempre amou livros e escrever. Quando mais jovem, me formei em Direito. Cheguei a ser servidora pública federal concursada, e professora de Direito do Trabalho, mas abandonei tudo e já tem cinco anos que me dedico exclusivamente aos livros. Sou mãe, sou casada e tenho um cachorrinho chamado Obama. Tenho 38 anos, mais de dez livros publicados e muita disposição! 

2- Como surgiu seu dom para a escrita?


Sou filha de um escritor, então isso sempre me pareceu algo natural. Aos doze anos tive a minha primeira ideia de livro, mas acho que essa ideia não será retomada nem tão cedo, pois ela era bem ruim (risos). Tive a inspiração para escrever de tanto ler chick-lits e eles não me representavam. Eram todos estrangeiros, tratando de um mundo que não era meu. Queria me sentir representada. 

3- Como ocorre seu processo de criação? Você busca inspiração em algo ou a história simplesmente flui e você a transcreve? Tem algum horário em que se sinta mais a vontade para escrever?
Gosto de escrever pela manhã. A cabeça ainda tá fresquinha, acho mais fácil de jogar as ideias no papel. Eu sigo um roteiro de escrita e coloco metas diárias a serem cumpridas, mas nem sempre consigo batê-las

4-Quanto tempo, em média, você leva para escrever um capítulo?

Escrevo mais ou menos 1000 palavras em uma hora.

5-Você tem algum escritor (a) que é seu referencial na escrita?

No Brasil, Martha Medeiros. No exterior, Marian Keys.


6- Têm algum, ou alguns, autor favorito? Se sim, qual ou quais?

Marian Keys, de longe! É a minha musa!

7 – Algum livro ou autor te inspirou ou inspira?

Vários, depende da época da minha vida.

8 – Tem algum livro ou personagem favorito?


Harry Potter traz um pouquinho de todo mundo, né? Em algum momento, todo mundo se vê escrito na história do bruxinho. 

9 – Qual seu personagem favorito dentre os seus? Por quê?

Tenho um xodó especial com a Luciana do Apimentando. A vida é terrível com ela, mas a danadinha está sempre lutando pela sua felicidade.

10- Qual a cena mais difícil que já escreveu? E qual a que mais gostou?

A mais difícil, sem dúvidas, foi o estupro que acontece no Um doce de confeiteiro. Terminei aos prantos. Sabia que era uma cena forte e que nem todo mundo compreenderia muito bem, mas ela era extremamente necessária para a trama. Não é a cena que mais gostei, claro. Mas foi a que mais me tocou enquanto escritora. Já a cena que mais gostei foi no mesmo livro, o momento em que a menina que foi violentada se permite ser amada por um homem bacana. A evolução da personagem me trouxe muita alegria. 

11 – Teve algum momento crítico enquanto escrevia que a fez pensar em desistir?


Acho que todo escritor já pensou um dia em desistir. A carreira é muito difícil. A grana demora a entrar, tem uma dificuldade enorme em conseguir uma editora, nem sempre os leitores gostam da gente. Não é fácil. Não sei se posso escolher um momento crítico, mas vários pequenos momentos de dificuldade. 

12 – Como é a sua relação com seus fãs?

Eu não consigo (e nem quero) criar uma barreira. Acaba que meus leitores sabem tudo da minha vida. Me exponho muito nas redes sociais, minha mãe inclusive fica bem brava com isso (risos). Mas essa galera faz parte real da minha vida. Sinto que meus leitores torcem tanto por mim que não posso esconder nada deles. Sou uma amiga íntima dos meus fãs, acho que posso dizer assim. 

13 – Como lida com os comentários e críticas dos fãs? Já recebeu alguma crítica que te fez pensar em desistir de escrever?

Graças a Deus eu nunca recebi uma crítica muito ruim dos meus leitores. Já recebi outras espécies de críticas, mas nunca em relação aos meus livros. E sei que nem todo mundo é obrigado a gostar daquilo que eu escrevo. Tento aprender com quem me critica. 


14 – Como autor (a) quais seus sonhos e objetivos?

Nossa, são tantos… Quero escrever até o meu último suspiro, quero escrever histórias que façam as pessoas pensarem, viajarem, sorrirem… Quero fazer do meu país um país de leitores. Isso sim seria lindo!

15 – Como seus personagens surgiram? Inspirou-se em alguém para criá-los?

Todos eles têm um pouquinho de mim e da minha vida. A inspiração está em todo lugar!

16- O Wattpad tem sido um meio muito importante para os novos escritores divulgarem suas histórias. Conte-nos sua experiência com a plataforma e como foi a repercussão da sua obra.

Eu nunca fui muito boa de wattpad (risos). Tenho vergonha de fazer spam no facebook, não sou antenada em responder comentários. A pessoa pra se destacar no wattpad tem que ter uma dedicação do caramba, e muitas vezes não tenho. Mas acho um barato essa interatividade, a coisa de todo mundo da pitaco naquilo que você tá escrevendo. Acho que Machado de Assis ia pirar com isso! 

18- Qual a maior dificuldade que você considera em publicar seus romances?

Olha, cada livro é um livro e tem uma carga de dificuldade diferente. No começo minha maior dificuldade era conseguir uma editora, depois conseguir leitores, então depende da história, do contexto… Agora, a minha maior dificuldade é o medo de decepcionar meus leitores. Fico sempre pensando em formas e mais formas de superar o livro anterior, pro povo não enjoar de mim. 

17- Qual foi a pessoa que mais incentivou a escrever e publicar suas histórias?

São três, e no mesmo grau de importância. Meu filho, meu marido e minha mãe.

18- Qual o seu conselho para os jovens escritores que estão surgindo?


Para que não se baseie na carreira de ninguém. Tem uns quatro anos que dou cursos de escrita criativa por todo país, e uma coisa que efetivamente quero que meus alunos aprendam é que não existe fórmula de bolo. Muitas vezes o que dá muito certo para um é um fracasso para outro. Não dá para querer imitar ninguém. É um mercado onde a criatividade e a exclusividade das obras fazem toda a diferença. 

19 – Você tem novos projetos em mente? Se sim, poderia nos contar um pouco sobre o que se trata a obra? 

No momento estou escrevendo o “Um amor de jornalista”. É do mesmo universo do “Um doce de confeiteiro”. Agora teremos o ponto de vista dele. É um desafio muito grande escrever como homem, mas estou tão empolgada que a coisa tá fluindo muito bem. 

20- Como você se vê daqui a cinco anos profissionalmente? Quais são seus sonhos e expectativas referentes à escrita?

Eita! Não consigo nem planejar o que vou fazer amanhã! Quanto mais daqui cinco anos! (risos) Vou ficar devendo essa resposta! 

21 – Por que você acha que os livros eróticos têm caído no gosto popular?

Os livros eróticos nada mais contam que histórias de amor. E uma boa história de amor tem uma boa pegada de sexo, geralmente. As pessoas gostam de um romance rasgado, uma paixão real, um amor incontrolável. Os livros eróticos apenas trazem isso. 

22 – O seu livro, Um Doce de Confeiteiro, aborda uma história sensual mais guloseimas. De onde veio essa ideia de unir sensualidade e comida?

Esse livro saiu do conto que escrevi para a Universo dos Livros, chamada “Um café da tarde”. Eu tinha uma responsabilidade enorme, estava em um livro com os maiores nomes da literatura erótica atual, como Nana Pauvolih e Mila Wander. Eu queria escrever sobre algo que todo mundo ama. E pensei logo em chocolate! (risos) Vamos combinar que um homem lindo, romântico e coberto de chocolate é uma boa pedida, não é? O conto fez tanto sucesso, que me pediram um livro. E ele tem feito muito sucesso, graças a Deus! 

23 – Qual a sua reação ao ver sua obra ganhar tanto sucesso em pouco tempo?


Olha, o tempo é longo… Para eu conseguir chegar no nível de um livro meu entrar na lista de mais vendidos da Amazon em menos de 10 horas de publicado, como aconteceu com o “Um doce de confeiteiro” estou há 10 anos no mercado literário. Já passei por situações que escritores começando passam, como evento sem publico, pagar por publicação e achar que nunca conseguiria chegar onde cheguei hoje. Eu sei que nada na vida é definitivo, além da morte. Para que meus próximos livros façam sucesso, como o confeiteiro ou o “Ser Clara” trabalho pesado todos os dias, me cerco de bons profissionais que cuidam das minhas redes sociais, do meu contato com a imprensa. Pago caro por revisores de extrema qualidade, capistas maravilhosos e tomo muito cuidado com os contratos que eu assino. Cuido da minha carreira com pulso de ferro, por que eu devo demais aos meus leitores. Eles são a minha motivação diária, e por eles eu invisto alto na minha carreira. Então reajo com humildade. Sorrio e agradeço toda vez que vejo meu nome na lista dos mais vendidos ou sendo notícia em grandes veículos de comunicação, mas isso não mexe com meu ego. O sucesso maior é receber um e-mail, de uma leitora do Piauí ou do Rio Grande do Sul, falando que eu a fiz sorrir em um momento de depressão, ou que ela mudou a vida por causa de um livro meu. Isso sim é o verdadeiro sucesso. 

24 – Fale-nos um pouco sobre seus próximos projetos.

São muitos! Mas a dedicação do momento é o “Um amor de jornalista”.

25 – O que é escrever para você?

É respirar.

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