Resenha: O Terapeuta, vol. 02 - Valentina K. Michael

Título: O Terapeuta, vol.02 - Ouça os meus segredos
Autora: Valentina K. Michael
Edição: 2017
Nº de Páginas: 545
Editora: *publicação independente


**ATENÇÃO: LIVRO ERÓTICO COM CENAS DE SEXO E LINGUAGEM DE CUNHO ADULTO.


Sinopse: Depois de ter descoberto que fora enganada por tanta gente próxima incluindo sua mais nova paixão, o terapeuta; Marianne decide passar um tempo longe de tudo e todos, em um cruzeiro nas Bahamas. 


Sawyer, está rendido a enorme atração que sente por sua ex-paciente e vai atrás de Marianne. 

Mas ele sabe que tem muito ainda a vencer para ter ela por completo em sua vida. Mary é diferente de todas as mulheres que já passou por sua vida e consultório. Ele sabe que, assim que a trouxer de volta, terá que enfrentar os empecilhos e confrontar seu passado pervertido, mas por enquanto, ele vai jogar para não deixar sua amada saber de suas escolhas passadas. 

É hora do terapeuta se deitar no divã e contar todos os seus segredos.


*** ESSA RESENHA PODE CONTER SPOILER DO LIVRO O1. Veja a resenha em clique aqui.

Marianne foi decepcionadas pelas pessoas que ela mais confiava, pelo o homem por quem acreditava amar e por quem fez a maior loucura de sua vida, e pelo homem que mostrou um mundo desconhecido para ela, um que nunca imaginou sentir tanto prazer. Decidida a ficar longe de tudo e de todos, ela resolve fazer um cruzeiro nas Bahamas, atraindo, inclusive, um homem lindo.

Enquanto isso, longe dali, Sawyer ressente toda a dor que provocou em Marianne, a única mulher que não o viu como um pedaço de carne, um objeto de satisfação. Remoendo seu passado e presente, ele decide ir atrás de Mary, provar a ela o quão bons são juntos, mesmo ele guardando, ainda, tantos segredos dela. 


"Com minhas pacientes eu não estava nem ligando para isso, mas sou bem capaz de sentar, rolar e fingir de morto se Marianne mandar."

A obra, como no primeiro volume da trilogia, é narrada em primeira pessoa, tendo os capítulos intercalados entre Marianne e Sawyer. O enredo agora gira em torno de como será a relação de Mary e Saw após se reconciliarem e ele assumir um compromisso com ela. Após deixar as "terapias" e passar a se dedicar ao ramo hoteleiro, Sawyer terá que enfrentar o passado que parece bater com mais insistência em sua porta. Ainda mais agora que está com Mary.


"- Vou te beijar. Não lute. - Ele informa e desce novamente o rosto em minha direção. Já estou perdida há muito tempo. Nem sei se o perdoei, só sei que o quero o mais rápido possível."

E, com medo de perder Marianne, Saw fará de tudo para continuar a mantê-la no escuro sobre seu passado. Afinal, seu maior medo é que ela o deixe assim que souber de tudo, de como ele chegou onde chegou.


Sinceramente, tenho que aplaudir essa autora. Valentina K. Michael é um talento nato. E quem diga o contrário é porque sente inveja ou tem a mente pequena demais para tamanha inteligência vinda de sua mente. A mulher simplesmente colocou o dedo na ferida de algo que sempre considerei o mal do machismo. 

Vocês já param para pensar que nós mulheres reclamamos do machismo, mas os homens são criados por mulheres, suas futuras vítimas? Pois é, eu andei pensando nisso e vi como a autora trouxe isso de forma sutil, mostrando pouco a pouca aos leitores como isso é forte em nossa cultura.

Sawyer foi um menino pobre, criado sem uma presença paterna, rejeitado pela mãe, que viu a irmã ser abusada pelo padrasto e que foi preso ainda na adolescência. Sem casa e comida, encontra uma mulher que o "acolhe" e que depois o transforma em um garoto de programa, ensinando-lhe como deve tratar as mulheres.

Depois de grande é novamente manipulado por uma mulher que, para acobertar o caso extraconjugal e não perder seu objeto de prazer, o torna em um "terapeuta" famoso, desejado por todas as mulheres ricas. Nenhuma demonstrou ter sentimentos por ele, ou mesmo o tratou diferente. Até ele conhecer Marianne, uma mulher que nunca o viu como as outras, que sempre enxergou além.

E vocês acham que Saw deveria mudar em um piscar de olhos depois disso? Não, né? Embora pareça ser isso que muitas pessoas que "leram" a obra quisessem. A autora vai mostrando pouco a pouco a mudança de Saw. Claro que ele ainda carrega muita coisa da sua criação, mas Mary será peça fundamental ao lhe ensinar como as coisas devem ser, principalmente em um relacionamento.


"- Será que não percebeu até agora? Você é esperta, Marianne. Isso não pode ser apenas uma terapia vazia. Tem algo mais envolvido. Sabe que tem... Sinto por você coisa que não senti por ninguém."

E antes que digam que ninguém muda ninguém (o que concordo), o cerne da questão aqui é que Sawyer não muda porque Marianne exige isso dele, mas por ele entender que em uma relação deve haver uma concessão para tudo funcionar bem. Não é questão de sobreposição de vontades, mas a concessão delas para que haja um equilíbrio, harmonia entre o casal. E é justamente isso que Mary mostra a Saw.

Quanto aos personagens secundários, vemos o que realmente aconteceu entre Sawyer e Candice, além de saber como se deu o envolvimento de Alice, irmã de Mary, com o ex-noivo Ryan. Além de conhecermos um pouco mais sobre os pais de Mary e ter uma presença marcante na história que deixará o leitor louco pelo último livro da trilogia.

Só posso dizer que o final foi fantástico. Sem palavras.

Recomendo a leitura com toda a certeza. Mas venha de mente aberta, despida de preconceitos. Leia até o final. Uma das coisas que mais admiro na autora é sua capacidade de surpreender o leitor e tenho convicção que o mesmo acontecerá com você.



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