Resenha: Deslocamento. Um diário de viagem - Lucy Knisley

Título: Deslocamento. Um Diário de Viagem
Autora: Lucy Knisley
Edição: 2017
Nº de Páginas: 144
Editora: Nemo



Sinopse: Artista, jovem e solteira, Lucy Knisley nunca imaginou que iria escapar do inverno frio de Nova York a bordo de um navio de cruzeiro para o Caribe. Mas quando seus avós idosos planejam uma fuga tropical, Lucy decide acompanhá-los, e nada sai como ela esperava. Durante os sete dias do cruzeiro, Lucy descobre mais sobre si mesma e sua família do que aprendeu durante uma vida inteira. Lidando com a decadência física e mental dos avós que tanto adora, ela é obrigada a confrontar seus próprios medos, anseios e expectativas, navegando pelas delicadas nuances que compõem as relações duradouras, a velhice, o amor e o cuidado. Guiada pelo diário do avô, Lucy desvenda suas próprias raízes, e suas férias acabam se transformando em uma viagem de autodescobrimento. Deslocamento é uma revelação tocante do amor e da compaixão capazes de conectar gerações em circunstâncias inesperadas; cheia de humor, sensibilidade e graça.


Deslocamento é uma autobiografia da autora, Lucy Knisley, contada em forma de quadrinhos desenhados por ela, em que retrata a sua experiência com seus avós em uma viagem. A forma como a história é apresentada em HQ nos aproxima ainda mais dos personagens e, em algumas passagens, podemos ver os sentimos de Lucy ao ter que lidar com determinadas situações.

Tudo começa quando os avós de Lucy se inscrevem em um cruzeiro com o grupo da casa de convivência onde eles ficam. Todos os filhos ficam sem saber o que fazer, embora nenhum se predisponha a acompanhá-los. Até que a neta se dispõe a ir com eles, para a alegria de todos que estavam sem saber quem iria nessa viagem acompanhar os idosos.

Mas, Lucy não imagina o quão difícil seria cuidar de dois idosos, ainda mais com sua avó que tinha alzheimer e vivia tendo pequenos lapsos de memórias que a deixavam confusa. Seu avô, embora se lembra-se das coisas, não estava em situação melhor, uma vez que não tinha controle sobre sua bexiga. E essas são apenas algumas das tantas coisas que Lucy terá que passar, que muitas pessoas no seu lugar não entenderia, ainda mais estando sozinha.

"Essa consciência constante da fragilidade da velhice me faz apreciar muito a juventude. É tão interessante pensar que a gente evolui para reagir com um cuidado automático para com os mais novos... ao passo que a velhice repele e nos faz ter medo da nossa própria mortalidade."

Eu nunca tinha lido um livro ilustrado como esse, mas Lucy consegue mostrar através de seus desenhos toda a sua relação com seus avós nessa viagem, assim como as dificuldades enfrentadas não só com eles, mas com outras pessoas que não compreendem ou mesmo se importam como é a vida de um idoso.

"Esta viagem é sobre paciência, cuidado, mortalidade, respeito, compaixão e amor".

Quem tem avós sabe como é difícil cuidar deles, compreender e aceitar esse novo estágio de suas vidas, em que não têm mais a mesma prática e agilidade com certas coisas. Mas, aprendemos, assim como Lucy nos ensina, que é preciso antes de tudo ter PACIÊNCIA e CUIDADO, pois estamos falando de pessoas que, após determinada fase de suas vidas precisam de certos cuidados e para isso é preciso ter paciência.

Também estamos falando de MORTALIDADE, afinal, todos nós sabemos que um dia iremos morrer, por mais que temamos em não falar sobre isso. Então, é necessário ter RESPEITO para com os idosos, com as suas limitações. COMPAIXÃO, afinal, como diz a minha avó: "o jovem de hoje será o velho de amanhã". E não nos esqueçamos que a vida é um ciclo e não seremos jovens para sempre. logo não façamos com nossos idosos aquilo que não gostaríamos de passar quando nossa vez chegar. E, por fim, é preciso ter AMOR. Amar incondicionalmente assim como somos amados por nossos avós, a extensão de nossos pais.

"Conseguimos chegar à área de retirada de bagagem sem incidentes terríveis, mas o ônibus para o aeroporto está lotado e ninguém quer trocar de lugar para deixar nós nos sentarmos juntos."

Esse é o tipo de livro que nos faz refletir sobre a vida, sobre quem somos e o que nos tornaremos, sobre o que é a vida e a morte, a saudade de perder quem amamos, o respeito por aqueles que nos cuida e ama.

Não tem como não nos colocarmos no lugar de Lucy, sentir as suas emoções. E mesmo sendo uma leitura rápida, ela consegue nos tocar com simplicidade ao nos mostrar como os idosos são vistos pela sociedade, como pessoas deslocadas, que, com o passar da idade, foram perdendo seu espaço no convívio social.

E com toda certeza eu indico a leitura desse livro. Acho que ele é o tipo de livro que todas as idades devem ler, principalmente netos e filhos que muitas vezes não compreendem a dificuldade que esse estágio da vida requer.

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