Resenha: O Silêncio das Águas - Brittainy C. Cherry

Título: O Silêncio das Águas - Série Elementos
Autor (a): Brittainy C. Cherry
Edição: 2017

Nº de Páginas: 364
Editora: Record

*Resenha feita por Renata Thomaz.

Sinopse: Quando a pequena Maggie May presencia uma cena terrível à margem de um rio, sua vida muda por completo. A menina alegre que vive saltitando de um lado para o outro e tem uma paixonite por Brooks Griffin, o melhor amigo de seu irmão, sofre um trauma tão grande que acaba perdendo a voz. Sem saber como lidar com o problema, sua família se vê em uma posição difícil e tenta procurar ajuda, mas nenhum tratamento vai adiante. Ao longo dos anos, Maggie aprende sozinha a conviver com os ataques de pânico e, sem conseguir sair de casa, encontra refúgio nos livros. A única pessoa capaz de compreendê-la é Brooks, que permanece sempre ao seu lado. A cumplicidade na infância se transforma em amizade na adolescência, até que um dia eles não conseguem mais negar o amor que sentem um pelo outro. Mas será que o forte sentimento que os une poderá resistir aos fantasmas do passado e a um acontecimento inesperado, que os forçará a navegar por caminhos diferentes?


Normalmente, a gente acha mais fácil escrever sobre alguém ou um fato que nos ocorreu e que marcou um momento da nossa vida. E a gente pode colocar uma fantasia, criando uma ficção gostosa.

Esse livro é gostoso, simplesmente porque ele desconstrói a forma de não revelar um fato e, apesar de ser ficção, faz a gente crescer com as personagens Maggie May e Brooks. De certa forma, eles conversam conosco e parece até que está cochichando em nossos ouvidos. Um livro que mostra a inocência da infância, de forma emotiva e carinhosa, faz a gente rir em muitos momentos. 

A adolescência faz a gente se surpreender com um romance maroto e a descoberta da música como terapia, modo de vida e uma forma de comunicação. Na fase adulta, o livro, desenvolve a música como forma ligação da família.

Uma ressalva para a nota da autora: no início do livro ela que expõe suas experiências na infância e o porquê desse livro, e um pouco das dificuldades que passou em sua vida.


“ A minha voz era insolente às vezes! O que mais tarde na vida me custaria problemas, mas essa é outra história.”



É nesse momento que a gente enxerga que a Série Elementos é uma proposta para contar uma história sobre algum fato importante da vida de Brittainy.

Bem, o silencio das águas conta pra gente como o silêncio tem voz. Como ele grita quando se está em agonia, que sua voz (a do silêncio) sai através de pesadelos dolorosos se for imposto.

“– Você me beijou – sussurrou ela.
– Foi um erro – respondi.
– Ah.
– É.
– Brooks?
– Maggie?
– Será que a gente pode cometer mais um erro ruim?
Chutei o mato e passei a mão pela nuca.
– Isso não quer dizer que vou me casar com você.".

Maggie, quando criança, era direta e obstinada. Não tinha mãe e sonhava com uma família completa. Seu pai, um professor universitário, era um piadista e carinhoso, que encontrou uma família com um quê de ”PARA SEMPRE”. 

Aos 10 anos, a vida de Maggie sofre uma reviravolta, que faz mudar sua relação com o mundo. Sua família presente procura protegê-la e monta uma redoma (o quarto de Maggie), onde sua madrasta, que é considerada como uma mãe, transforma a menina numa aberração e passa a não enxergar as pequenas informações de seu problema, dificultando ainda mais sua cura. 

As dificuldades ganham intensidades com as diversas brigas de sua irmã mais nova, Cherryl, que começa a revoltar-se por ver todas as suas oportunidades ruírem diante aos obstáculos que os problemas de sua irmã causam. Ela perdeu o carinho da mãe, mas de uma forma geral, a família sofreu um grande impacto, e o silêncio presente ganha voz e faz seu estrago afastando todos do convívio do dia a dia.

A luta de Maggie e seu pai para manter a família são árduos.

“[...] Você sabe que a sua mãe não gosta quando você fica escutando a conversa dos outros. – Sussurrou meu pai. ...
– Estão falando de você de novo? – Assenti. 
[...] Mesmo quando ela tentava opor a opinião das amigas, as mulheres ainda passavam pelas frestas e se esgueiravam até o subconsciente dela. [...]”


Com a mente abalada, a mãe de Maggie começa a dificultar a vida e cria ainda mais obstáculos de convívio social, negando a visita dos amigos e do namorado, Brooks.



Com o convívio familiar estrutural abalado, a leitura, a vizinha, Sra. Boone, e Brooks, tornam-se os melhores aliados à voz de Maggie. Katie, a mãe, também se fecha num silêncio culposo que faz seu casamento ruir.

O interessante na escrita da autora são os diversos ambientes relacionados a uma situação determinada, que estão classificados diretamente nas personagens e seu entorno a Maggie:

> O pai que a defendia e tentava fazê-la retornar ao mundo;
> Seu irmão, que a amava e a respeitava, e em alguns momentos a defendia;
> Sua irmã que sofreu pela perda de carinho e pela comparação ao que poderia acontecer, transformou-se numa rebelde;
> Sua mãe que tornou-se fria e já não enxergava nada além da dor.


“– Você sabe a maior diferença entre as duas?
– Qual?
– Jéssica não tinha ninguém. Ela se fechou e deixou todo mundo do lado de fora. Mas Maggie tem você?
– Obrigado, Sra. Boone.”

Brooks, em todas as partes, torna nossa principal personagem uma pessoa mais forte, porque ele participa de todos os momentos especiais, cultivando uma amizade profunda que aos poucos se transforma em amor para ele. Mas que, em determinado instante é cortado por necessidade de seguir caminhos, onde uma pessoa caminha no mundo dentro de uma casa e outra sai e conquista multidões.

Por causa de Maggie, seu irmão Calvin e Brooks  transformam-se em astros do POP, mas, em meio ao sucesso, novos obstáculos aparecem e mudam as vidas deles, e essas mudanças são outra vez profundas e faz o silêncio se calar, mudar de direção, afetando a vida de Brooks e obrigando Maggie a lutar pelos dois.


“[...] Quanto mais zangado ele ficava, mais irritada eu me sentia. Ele desligou a jukebox de novo, e eu liguei.

[...] – Cada palavra era um soco, e cada uma delas me derrubava. – Você está perdendo o seu tempo, então, dê o fora da...
– VOCÊ PROMETEU! ....”



A capa do livro define como são sinônimos o mundo das águas e a vida sem voz, a interferência no mundo do silêncio através das águas. A foto de um dia chuvoso e nublado, revela o silêncio grita.

A obra descrita no pequeno universo de uma residência e um quarto, demonstrando o terror de um trauma na infância. Escrita em primeira pessoa, com pouca informações de locais, a narrativa é direta e rica em construções de sensações diante a impossibilidade da fala da personagem.

A história é dividida em três partes: a primeira, a infância, em que são apresentados os principais fatos dessa fase da vida; a segunda, a adolescência, em que a amizade é firmada e toda a construção dos personagens marcam o destino de cada um; e, por último, a fase adulta, uma fase conturbada, cheia de revelações que mudam novamente o destino dos personagens. E essa divisão foi um ponto forte da obra, ao mostrar a construção e desenvolvimento dos personagens, dando uma nova roupagem ao enredo e aumentando a curiosidade do leitor.

O fato de não consegui falar o pensamento que aflige o personagem, mudando a vida de todos a sua volta e, tornando o silêncio o maior e pior inimigo de todos, demonstra como esse mesmo silêncio é o remédio que cura e faz crescer cada um dos personagens.

No entanto, senti falta de ligação da infância com a fase adulta, e achei que o epílogo não condisse com a história maravilhosa que foi contada. Ficou curto demais, merecia mais um capítulo.

Com um desfecho curto, o livro em seus capítulos finais revela rapidamente as conquistas dos personagens em retomar o curso da vida e vencer os desafios propostos.

Indico para quem gosta de romance e ficção.

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