Resenha: Porque Fechei os Olhos - Juliana Mendes

Título: Porque Fechei os Olhos, Vol. 1 
Autor (a): Juliana Mendes
Edição: 2017
Nº de Páginas: 239
Editora: Ler Editorial
*Resenha feita por Renata Thomaz.



Sinopse: "Minha vida acabou naquela tarde. Desde então não sei como ainda posso respirar. A única coisa que sou capaz de sentir é essa apatia que me mantém vivendo, um dia após o outro. Não consigo mais reagir a nada. Não consigo mais chorar. Olho ao meu redor e só enxergo escuridão, um breu sem fim, do qual não posso sair."

E se você descobrisse que ainda não é o fim?
Karen passou a vida enclausurada dentro de si mesma, fugindo de qualquer relacionamento mais íntimo com outra pessoa. O único com acesso à vida de Karen é Andrew, seu melhor amigo que, para conseguir permanecer ao seu lado, oculta seus verdadeiros sentimentos.
A vida de Karen é linear e previsível, até o surgimento de um cliente sedutor que, despretensiosamente, pode transformar seus sentimentos e sua visão de mundo. O perturbador Paul Newman tem o poder de desconstruir a barreira que Karen criou ao redor de si mesma, para se proteger do mundo e do amor.
Ao mesmo tempo, em uma reviravolta inesperada, um sentimento de culpa faz com que Karen prometa algo a Andrew que não sabe se poderá cumprir...
Neste jogo em que a vida apresenta diferentes escolhas, entre permanecer na escuridão do passado ou vislumbrar a possibilidade de futuro, terá Karen a capacidade de optar pelo desejo de viver novamente?

Karen perdeu seu grande amor da adolescência e juventude e desde então se fechou para qualquer tipo de relacionamento. Formada em Marketing, ela sempre foi uma autodidata, fez colegas no trabalho, mas amigo mesmo ela só tem Andrew, que sempre a seguiu, fazendo todas as suas vontades.


“O despertador toca, implacável, anunciando o começo do meu dia. [...] Chego a empresa às oito e meia em ponto, sem me preocupar em achar uma vaga para estacionar... Passo pela recepção e cumprimento Sabrina... . Sigo para a sala de criação.

[...] Gosto da minha equipe de trabalho. É pequena, mas competente, objetiva, assertiva e muito agradável de conviver.

[...] As nove horas em ponto, a porta da sala de reuniões se abre e, ... Enfim, nossos clientes chegaram.”


Karen estabelece uma rotina de trabalho com sua equipe que a faz se destacar e, por isso, sempre é chamada para as principais campanhas. E, com a chegada de um novo cliente um novo produto será vendido na campanha, sem que nem mesmo a diretoria da empresa saiba, gerando, assim, uma grande expectativa na equipe.

Toda pessoa muito jovem desperta curiosidade por sua capacidade, sendo sempre questionada quanto a suas habilidades. Isso porque, para muitos, idade e experiência andam juntas num caminho longo. No entanto, isso não impede que, por inteligência e capacidade, uma pessoa jovem também adquira experiência e se destaque em seu trabalho, mesmo que para isso tenha que comprovar seu talento, se desafiar. E esse é um ponto marcante na obra, que foi bem elaborada pela autora Juliana, que mostra como ocorre esse jogo de competição, crescimento profissional.

Andrew é um rapaz que encontrou o amor em sua melhor amiga. E que, mesmo querendo transformar essa amizade em um relacionamento, teme perdê-la ao revelar seus reais sentimentos por ela.

“Andrew liga para avisar que está chegando. [...] 
–... Para que você trouxe patê?

 Aaaah, era para comermos com baguete, mas esqueci do pão! [...]

– Esse cheiro? – ele diz, fechando a porta.

– Eu sei, estava pensando nisso!

– Esse carro mexe com o psicológico, cara! ... Andrew diz, com as mãos no volante, admirando o veículo, como se o visse pela primeira vez.”

Ele precisa criar um espaço suficiente para dizer a ela o quanto é importante na sua vida. Muitas vezes, por conta do sexo oposto, existe uma natural confusão de sentimentos. Amizade apenas, é claro que pode existir, sem que haja o comprometimento amoroso. Mas, que é difícil, é sim, principalmente, com longo tempo de convivência e com a interferência no dia a dia pessoal de cada um.

Para Karen, a amizade como a de um irmão torna insuportável a perda de um amigo para o amor. E com o apego e a necessidade de não perder mais nada em sua vida, ela cede sem pensar em si e no que pode causar num futuro.

“ Paul lança um olhar divertido ao ver a minha reação de espanto.
– Surpresa, Srta. Geller?
Respiro fundo e pisco diversas vezes, a fim de retornar o prumo.
– Na verdade, eu estava me perguntando até quando você iria esperar para me mostrar essa sua cara feia novamente.
– Cara feia? – Paul dá uma gargalhada. [...]”

Paul Newman, um jovem engenheiro que é herdeiro da maior construtora do país, é muito inteligente e pretende fazer uma nova campanha para empresa envolvendo sustentabilidade. Mas, para isso, busca uma nova campanha publicitária da empresa em que Karen trabalha.

Logo, os dois interagem na reunião de apresentação. O que causa uma curiosidade dos colegas de trabalho de Karen. 

A cada novo encontro de Karen e Paul, a atração aumenta e surge a paixão. Mas, no meio disso a revelação de Andrew interrompe de forma forte o amor dos dois.

O enredo é bem entrelaçado entre o passado e o presente, fazendo a personagem se prender as convicções arraigadas dentro de si. A curiosidade é despertada a partir do momento em que a gente se pega torcendo por uma ligação do casal. E também, pela lealdade na amizade desde adolescência de Karen e Andrew.

A princípio, ao ver a capa do livro, entende-se como uma obra que abordará o ambiente da dança, o mundo do balet, que cuidadosamente nos remente a vida do Cisne Negro, de O Lago dos Cisnes. Entretanto, na descrição da sinopse, vemos com a referência é apenas lúdica.

Quanto aos pontos fortes da obra, gostei da forma como a autora conversa com os nossos sentimento sempre que demonstra a personagem na força em não revelar o que pensa ou sente, reservando o direito de não amar outra vez como forma de proteção, e até mesmo respeito do amor perdido na adolescência.

Recomendo a leitura.

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