Resenha: Proibido - Tabitha Suzuma

Título: Proibido
Autor (a): Tabitha Suzuma
Edição: 2014
Nº de páginas: 304
Editora: Valentina

*Resenha feita por Renata Thomaz.


Sinopse: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã.
Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.


Então, como vocês me conhecem, boa parte das minhas resenhas são de livros difíceis, que sempre tem alguma coisa de verdade do mundo em que vivemos. E nesse livro não foi diferente. A intensidade dos fatos me arrebatou, fiquei completamente devastada em alguns momentos, e informo: preparem-se para ler. E, caso o façam, vá até o final.

"Tanto Willa quanto Tiffin começam a falar na mesma hora encantados com a atenção, o café da manhã esquecido, ...
- Vocês têm que sair de casa em cinco minutos, e esse café da manhã precisa ser tomado antes disso.
Mamãe segura meu pulso quando passo.
- Lochie-Loch, senta aí um minuto. Nunca tenho chance de conversar com você. [...].
Com um esforço monumental, engulo a frustração.
- Mãe, a gente precisa estar na escola em quinze minutos, [...]
- Nossa, como ele é sério! – Ela me puxa para uma cadeira ao seu lado, ...”

Bem, meninos de 17 anos normalmente são irresponsáveis por natureza, ainda pensam em besteiras, amigos, festas, meninas... Coisas naturais da idade. Lochan, em seus 17 anos, é um rapaz muito tímido, incapaz de encarar qualquer pessoa por muito tempo sem que sua cor se transformasse em um vermelho vivo, ao ponto de se sentir sufocado por não saber o que falar.

Ninguém o conhecia tão bem como Maya, sua irmã, um pouco mais nova. Em casa, era quieto e muito responsável. Dono de uma inteligência fenomenal e super protetor da família, gosta de manter a ordem em relação aos seus irmãos mais novos junto com sua irmã Maya, mantendo em rédeas curtas Willa, Tiffin e Kit.

Uma família pobre, que perdeu o pai pela separação e que tem uma mãe totalmente irresponsável e que, mesmo sabendo da sua responsabilidade como mãe, transferia essa função para os filhos mais velhos. E como convívio familiar da mãe começa a se tornar raro, o seu afastamento obriga a um maior controle e responsabilidade para cuidar das contas, comida, roupas e estudos por parte de Lochan e Maya.



“Encontro mamãe olhando para mim do sofá com ar abatido, debaixo do edredom ...
Fico olhando para ela, boquiaberta.

- Que foi que houve?

- Acho que estou com intoxicação alimentar, benzinho.[...]

- As crianças ... – começo a dizer.
Seu olhar se apaga e volta a se acender, como a chama de um fósforo oscilando no escuro.
- Eles estão na escola amorzinho, não se preocupe. [...]
- Mãe ... – Sinto minha voz começar a se erguer. – São quatro e meia!”


Muitas meninas de 16 anos têm em suas mentes terminar os estudos, ter um namorado, fazer faculdade... Maya tinha esses sonhos, mais eles se distanciavam à medida que a responsabilidade em casa aumentava. Sua maior fuga era a hora que conversava com sua melhor amiga, sobre meninos, principalmente os do último ano da escola.



Mas, seu melhor amigo, aquele que sabia exatamente, tudo o que precisava e que dividia as responsabilidades da casa com ela, era Lochan, seu irmão mais velho. Ele sempre tinha tempo para ela e sempre sabia o que precisavam.


Com o distanciamento cada vez maior de sua mãe e as necessidades de imporem limites aos menores, eles estão presos num redemoinho, que mostra revoltas, conciliações, união e descobertas de uma forma errada.

É mostrado todo um contexto de peso grande para dois adolescentes, que deviam viver a idade que tinham e não enfrentarem sozinhos as adversidades da vida adulta.

A escrita desse livro é fenomenal, por três motivos:

1 – Existe um contexto muito intrigante que é o dia a dia de crianças, que tem que crescer muito rápido, assumindo responsabilidades nada fáceis;

2 – Os fatos são narrados faz a gente sentir como se estivéssemos presentes tamanha a intensidade da escrita da autora. Por muitas vezes tive que parar a leitura para tomar um fôlego, pois é um livro que nos faz pensar e que nos sufoca com os sentimentos que afloram (um livro de uma psicologia forte);

3 - O fato de ter um assunto considerado tabu (incesto) torna-se irrelevante para todo o contexto que se apresenta.

A autenticidade com que Tabitha apresenta sua escrita, prende a gente do início ao fim e, por isso, recomendo este livro. Mas, prepare sua mente, o esforço é muito grande para não desabar com tantas revelações.


0 comentários :

Postar um comentário