Resenha: Império de Tempestades - Sarah J. Maas

Título: Trono de Vidro, Império de Tempestades - Tomo 1
Autora: Sarah J. Maas
Edição: 2017
Nº de Páginas: 364
Editora: Galera Record



Sinopse: Antes de serem traídos pelo atual rei, os Galathynius reinaram em Terrasen por séculos. E agora Aelin deseja recuperar a coroa e voltar a seu trono de direito... Mas o caminho até lá é longo e sinuoso. Amigos serão perdidos, lealdades serão quebradas e alianças inesperadas surgirão. Com a vida e poder jurados ao povo que está determinada a salvar, a antiga assassina, conhecida como Celaena Sardothien, colocará a própria segurança em risco para proteger os seus. Mas a única salvação está numa relíquia enterrada nas ruínas de um velho pântano.


Título: Trono de Vidro, Império de Tempestades - Tomo 2
Autora: Sarah J. Maas
Edição: 2017
Nº de Páginas: 322
Editora: Galera Record


Sinopse: A história de Aelin Galathynius, sempre repleta de ação e intrigas, continua nesta segunda parte do quinto livro da série, Império de tempestades. Aelin Galathyius sobreviveu a prisão, à perda de amigos e amores, às traições. Agora deve vencer seu maior medo para salvar o mundo. Com a vida e poder jurados ao povo que está determinada a salvar, a antiga assassina, conhecida como Celaena Sardothien, colocará a própria segurança em risco para proteger os seus. Mais que nunca, Aelin precisa de Rowan, de Dorian e de todos os aliados para conseguir descobrir a localização da relíquia sagrada capaz de banir de seu mundo a ameaça valg e os horrores libertados em Morath. Chegou a hora de levantar os exércitos de Erilea. De cobrar velhas dívidas... é hora de marchar contra o mais supremo dos males. E confiar na pureza de seu coração para trazer a luz.


Antes de começar a resenha, quero dar um pequeno aviso: Império de Tempestades, no original, é um livro só, porém, não sei porquê a editora que publica a série aqui no Brasil, a Record, resolveu dividir o livro em dois Tomos. De acordo com as duas partes da narrativa, o livro é dividido em: A Portadora do Fogo e Coração de Fogo. Particularmente não entendo o motivo dessa divisão, pois o livro é grande, mas não TÃO grande assim que houvesse essa necessidade, mas fazer o que né? Sendo assim, por não achar necessário nem concordar com essa divisão, eu vou fazer uma resenha única sobre a história, porém irei dividir em duas partes, então vocês tem a opção de ler a resenha completa ou por partes.




Tomo I – A Portadora do Fogo


Aelin e sua pequena corte marcham rumo à Terrasen, onde ela se encontrará com os Lordes remanentes do reino. Infelizmente esse encontro termina com seu direito de nascença negado, uma vez que os Lordes, influenciados por preconceitos e crenças tolas, não a aprovam para governar. Entretanto, isso não abala nossa diva máster, só alimenta sua motivação para sair vitoriosa ao final da guerra, e ela promete que não tornará a virar as costas para seu reino, que irá vencer e erguer Terrasen novamente.


“— Prometo a você que não importa o quanto eu me afaste, não importa o custo, quando pedir minha ajuda, virei. Juro por meu sangue, pelo nome de minha família, que não darei as costas a Terrasen como você me deu as costas. Prometo, Darrow, que ao chegar o dia em que rasteje por minha ajuda, colocarei meu reino diante de meu orgulho e não o matarei por causa disso. Acho que a verdadeira punição será me ver no trono pelo resto de sua droga de vida — disse ela.”


No entanto, as preocupações de Aelin, não são poucas (como sempre) e ela precisa correr contra o tempo para reunir um exército que lutará na guerra em favor de seu reino,e ajudar Dorian, pois Forte da Fenda está sob ataque das bruxas, e nesse momento a cidade não dispõe de poder algum para contra atacar os inimigos. Sendo assim, ela precisa dividir sua pequena corte, em que Rowan é encarregado de salvar o jovem rei e depois se reunir com sua rainha e o resto da corte que estão embarcando em outra missão. 

Após a explosão em Morath, Manon e suas Treze despertaram a atenção extra dos demais clãs de bruxas, mas principalmente da Matriarca das Bico Negro. Mesmo assim, ela arrisca sua pele e sua reputação ao matar uma das suas para dar a Dorian uma chance de escapar do ataque, uma vez que entre os dois há esse fogo que está queimando baixo, a espero do momento de incendiar tudo, rsrs. Suas ações lhe custarão caro, dois golpes que mudarão o rumo de seu destino, um golpe físico que quase ceifa sua vida, e um golpe em seu emocional que destrói tudo o que Manon sabia sobre si mesma, e isso alterará seu futuro de uma maneira que ela jamais imaginou.

Dorian é um rei sem coroa e sem reino, e um fugitivo. No tempo que passa viajando ao lado de Rowan, que os está guiando para se reunirem a Aelin e os demais, o feérico começa a lhe ensinar como controlar e usar sua magia, que é assombrosamente poderosa. Assim o jovem rei pode finalmente se tornar útil, aprendendo a se defender e a lutar. Dorian já não é mais o jovem que adorava farra e diversão, agora ele é um homem que sabe o peso da dor da perda, que é assombrado por sua própria mente. Seu amadurecimento aconteceu de forma rápida e abrupta, mas ele não irá mais fugir ou se esconder, ele irá lutar ao lado de seus amigos, mostrando toda sua força.

Nesse livro, outras duas personagens ganham destaque nas narrativas: Elide e Lorcan. 

Elide, após conseguir fugir de Morath, faz de sua missão encontrar sua rainha, Aelin, e entregar a ela a chave de Wyrd que Kaltain lhe confiou pouco antes de se sacrificar. Sendo assim, a jovem começa a trilhar sua jornada um pouco incerta de para onde seguir, pois não tem a localização exata de onde sua rainha está. Lorcan – babão da Maeve – também está atrás de Aelin, mas para roubar as chaves que ela possa ter em seu poder, pois ele mesmo tem um plano, que só na cabeça de brucutu valentão dele para dar certo. Sabe dois personagens que eu jamais poderia imaginar a interação entre eles? Pois é, mas é o que acontece. Lorcan e Elide acabam tendo seus caminhos cruzados e começam a seguir viagem juntos. É muito interessante a dinâmica entre eles, ao mesmo tempo em que estão colaborando mutuamente para que possa dar certo essa viagem, eles estão escondendo suas reais motivações um do outro. São cenas bem interessantes, pois passamos a conhecer mais desses dois personagens, vemos a força e a coragem de Elide, sua garra, sua determinação e astúcia. Também vemos outra faceta de Lorcan, além do MACHO-FEÉRICO-GUERREIRO-IMPLACÁVEL, vemos que os brutos também amam, que bestas feéricas podem ser domadas por pequenas jovens de pulso firme *-*!

Enquanto viajam ao lado de Aelin, Aedion e Lysandra, devido à proximidade, começam a ter sentimentos despertos, uma relação que ainda está tomando forma, mas que está ali, latente. Lysandra é uma personagem que a cada capítulo ganha mais força e notoriedade, a ex-cortesã amadurece muito, isso faz com que seus laços de amizade com Aelin se estreitem cada vez mais, tornando-a uma das pessoas em quem a jovem rainha mais tem confiança, uma personagem feminina de força, e que sempre está apoiando as maquinações diabólicas de Aelin. Essas duas juntas são um perigo, rsrs. 

Aedion Ashryver, o Lobo do Norte, é um guerreiro excepcional, leal e amigo. É também a única família remanescente de Aelin, e os dois lutando juntos são incríveis, além de a interação entre eles ser na maior parte do tempo muito divertida. Desde que apareceu em Herdeiro do Fogo tem sido um dos meus personagens favoritos da série.

Outros dois personagens que preciso falar são Gavriel e Fenrys, ex- companheiros de Rowan, ambos já mencionados no terceiro livros, mas apenas superficialmente. Em Império de Tempestades poderemos conhecer um pouco mais sobre esses dois guerreiros, que tem passados complicados. Gavriel é o mais calmo e cordial dentre eles, um ponto de equilíbrio e apoio, porém um guerreiro feroz e preciso. Sabemos agora que ele é o pai de Aedion e essa vai ser a primeira vez que os dois poderão se encontrar, mas há tanta história não contada entre eles, não será uma aproximação fácil. Fenrys, belíssimo e poderoso, e nunca sabe quando calar a boca, é um alívio cômico em diversos momentos da história, mas também carrega um passado doloroso, ele serve a Maeve, mas por pura obrigação.

A corte de Aelin se reúne novamente em Baía da Caveira, onde a rainha faz sua primeira aliança. Agora juntos Aelin, Rowan, Lysandra, Aedion, Dorian, Fenrys e Gavriel partirão em busca de um místico e poderoso artefato que poderá mudar o curso da guerra vindoura. Elena e Brannon, tem sua cota de participação nesse livro, ambos vem do pós vida para “guiarem” Aelin para o destino que a aguarda.

Tomo II – Coração de Fogo


Na segunda parte de Império de Tempestades começa a acontecer algo que eu estava aguardando faz um tempinho, finalmente os personagens começam a convergir para um ponto em comum. Ao final da primeira parte do livro, Manon – não por escolha consciente, rsrs – acaba se juntando a equipe de Aelin. E enquanto a rainha e seus amigos partem em busca do artefato que pode dar a eles grande vantagem na luta contra Erawan, acabam encontrando com Elide e Lorcan.

Durante a primeira parte do livro, temos ação e emoção, mas nessa segunda parte... Por Wyrd! É aguenta coração. Aelin e seus companheiros enfrentarão as hordas de criaturas pavorosas enviadas pelo rei sombrio, assim como também deverão enfrentar Maeve e seus exércitos. As páginas finais de Império de Tempestades estão repletas de ação e revelações bombásticas, que me deixaram de olhos arregalados e coração disparado.

A cada livro dessa série Sarah consegue me deixar mais e mais apaixonada e encantada por esse universo, por esses personagens, e eu não tenho adjetivos suficientes para expressar todos os sentimentos que me preenchiam enquanto lia esse livro. Mas vou tentar passar um pouco desse mix de emoções para vocês.

Desde o primeiro livro da série acompanhamos a evolução da protagonista, vemos o crescimento e amadurecimento dela, mas definitivamente nesse livro em especifico vemos o ápice de seus poderes e da capacidade de maquinar planos que geram no mínimo umas 5 reações diferentes, afinal, se não for para quase causar infartos em seus amigos com os resultados de seus planos, Aelin nem levanta da cama (rsrs). O amor que ela demonstra por seu reino e por seu povo, todos os planos, arranjos, alianças e sacrifícios que ela faz para dar a Terrasen e aos amigos uma vantagem na guerra, é simplesmente emocionante. Aelin luta com o coração e com a alma, sempre mantendo a máscara da confiança e da arrogância para iludir os inimigos e passar segurança a seus aliados, mesmo que por dentro ela esteja apavorada com seu destino. A força que ela irradia é contagiante. Aelin Ashryver Galathynius é a personagem mais empoderada, cativante, forte, inteligente, valente e inspiradora que eu já tive o prazer de conhecer! (tô chorando escrevendo essa resenha, só para constar).

Rowan, meu amadíssimo Rowan. Desde que ele entrou na história em Herdeira do Fogo, eu sabia que ele seria grande. O guerreiro feérico se torna o porto seguro de Aelin, seu amigo, servo, amante, protetor, tudo o que ela possa precisar. Ele está disposto a dar tudo por sua amada, por sua Coração de Fogo. Ele usa não somente sua magia e força física, mas sua experiência na guerra e sabedoria para dar a sua rainha todas as vantagens possíveis. A forma como eles se completam é inominável, eles são duas partes de um todo. Rowan ama cada fragmento de Aelin, ele não a teme, ele admira tudo nela. E...aí, meu coração ao final desse livro fica destroçado por ele, tadinho... Mas ver a determinação e o empenho dele é revigorante.


— Eu amo você. Não há limite para o que posso dar, não preciso de tempo.

Mesmo quando este mundo for um sussurro de terra esquecido em meio às estrelas, amarei você.


Dorian, meu principezinho (agora rei), uau! Como ele cresceu, como ganhou tanto destaque dentro da história. É triste o que acontece com ele, mas isso o tornou um homem, o moldou para assumir a posição de rei. E Manon, minha diva maléfica, minha bruxinha, essa personagem começa como pura maldade, mas então, essa camada começa a ruir e vemos que há muito mais dentro dela. A relação de Manon com Abraxos a faz crescer e ver que no mundo existem outras formas de olhar a vida além daquela em que ela foi doutrinada a crer. Asterin também é outro pilar importante para essa mudança em Manon. E o fator catalizador foi descobrir a verdade sobre sua origem, sobre as circunstancias de seu nascimento, isso a afeta, a deixa um pouco vulnerável, mas também abre sua mente e coração para um mundo de possibilidades. Acredito que muito de seu comportamento se dê pelo medo de amar, pelo medo do que esse sentimento pode lhe causar.

Aos 45 do segundo tempo, Aedion acaba falando coisas para sua prima, das quais ele se arrependerá muito, e isso o assombrará por boa parte do próximo livro, da mesma forma ele diz coisas terríveis a Lysandra, que escuta calada, resignada com seu papel. Minha valente Lysandra, acreditando no sonho de que a corte irá mudar o mundo, que proporcionará um futuro para Evangeline, ela aceita compactuar com o plano mais arriscado e pretencioso de Aelin, um plano que evoca emoções perturbadoras em Aedion e Rowan. Ao meu ver isso só reforça sua lealdade a Aelin. 

Com as reviravoltas do final eu que já não curtia Lorcan, peguei foi ranço, morrir de pena do Gavriel e do Fenrys. Vibrei com o reencontro de Manon e as Treze, e chorei em todo o resto, rsrs. Chaol não faz participação nesse livro ( nem fez falta), afinal ele partiu para o continente Sul para tentar se curar e fazer novas alianças, embora seja bastante lembrado por Dorian e Aelin.

Sobre os vilões, Erawan, o Rei Sombrio, o grande vilão desde o inicio da história, começa a se fazer mais consistente na trama, o coisa ruim resolveu mostrar algumas de suas jogadas, as criaturas sombrias e horripilantes que ele estava criando nas profundezas de Morath, Já tínhamos noção de que esse era um vilão que vinha se esgueirando, reunindo forças, mas não tínhamos total noção de tudo o que ele representava. Maaasss, como problema pouco não tem graça, Maeve, que sabíamos que seria problema na vida da nossa rainha, retorna a história, mostrando que é uma dor de cabeça muito mais aguda que podíamos prever. A infeliz vem pra arregaçar é tudo e, sério, pode ser que ela seja um perigo ainda maior que Erawan. No livro final veremos nossas mocinhas enfrentando duas grandes forças malignas que não brincam em serviço, e isso me deixa receosa quantas as baixas e o que isso pode significar.

Eu amo a série Trono de Vidro como um todo, mas Império de Tempestades tem algumas das minhas cenas favoritas de toda a história. É um livro que tem ação, tem mistério, aventura, romance, drama... É bem completo quanto a variedade de emoções, é um dos livros com a narrativa mais fluida da série. Os eventos acontecem um atrás do outro, isso prende a atenção e as peças vão começando a se encaixar e detalhes que foram mencionado lá no início da história começam a fazer sentido. Uma das muitas coisas que amo na escrita da Sarah é isso, ela não perde nada, ela consegue amarrar tudo, todos os elementos que ela coloca dentro da narrativa tem um propósito e em algum momento tudo vai se juntar e fazer sentido, por isso os livros dela tem que ser lidos com bastante atenção para não perder nada.

Sério, que final foi esse, tia Sarah! A senhora não tem coração não, né? Mais ou menos nas últimas 100 páginas do livro, temos uma enxurrada de revelações de arrancar os cabelos. São segredos antigos que vem à tona, informação de cair o queixo. É luta, é confronto, é tortura, tudo e mais um pouco. Eu terminei o livro em prantos, não sabia lidar com minhas próprias emoções e, pior, na época em que li Império de Tempestades tive que esperar meses até ver a conclusão da história e esse é o livro com o final mais desesperador da série. Considerem-se sortudos vocês que estão conhecendo a série agora, pois o último volume logo será publicado. Sarah J Maas é a autora queridinha da minha estante e do meu coração, essa mulher arrancou meu coração com esse final e eu ainda a aplaudi!



1. Amazon (Tomo 1)
2. Amazon (Tomo 2)
3. Saraiva (Tomo 2)
4. Travessa (Tomo 1)
5. Travessa (Tomo 2)

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