Resenha: Um Amor em Movimento - Fernando Moraes

Título: Um Amor em Movimento - Filosofia em sentimento
Autor: Fernando Moraes
Edição: 2018
Nº de Páginas: 160
Editora: Novas Páginas


Sinopse: Joan Garcez, professor de uma importante universidade, acredita que a filosofia deve impactar o coração das pessoas, despertando vontades, desejos, sonhos e desafios. Martina Perez, filha de médicos de uma família tradicional de Santiago, sempre se sentiu incomodada com o meio social em que foi criada, rodeada pelo luxo e riqueza, bem diferente dos pacientes do hospital público em que trabalha. E compartilhando o sofrimento dos outros, ela se torna defensora da humanização da medicina.

Os dois se conhecem de forma pouco convencional, e após alguns rápidos encontros, iniciam um desafio peripatético, ou seja, caminhar pelos arredores da universidade enquanto discorrem sobre diversos assuntos. Juntos pensarão em alternativas para a construção de um novo estado social de convivência, ao mesmo tempo em que Martina busca uma solução para amenizar o sofrimento de um pequeno paciente no hospital. E com a ajuda do amor, a vida passa a ganhar possibilidade de ser mais preciosa e encantadora para todos.


Joan é professor de Filosofia em uma renomada faculdade de Santiago, no Chile, um homem simples, que quase sempre chega atrasado para as suas aulas, mas que ainda assim consegue despertar o interesse dos alunos para a disciplina devido a sua didática diferenciada. É que para Joan a filosofia é um deleite, algo que não está apenas em estudar os renomados contribuidores dessas ciência, mas de refletir sobre a vida real associada a complexidade intelectual.


"Essa é a beleza da reflexão, conseguir através do simples, daquilo que muitas vezes está o tempo todo disponível aos nossos olhos e não conseguimos ter a sensibilidade de enxergá-los, consumidos pelos formatos estabelecidos, pela ordem imputada de como deve funcionar tudo a nossa volta. Pensar é se libertar do costumeiro, é poder resplandecer sobre novas possibilidades, alternativas, e ver a maravilha que é viver, imersos numa simplicidade que nos chama todos os dias para ser feliz."

Até que um dia, em virtude de uma decisão da reitoria em reunir em uma mesma sala os docentes de várias áreas para trocarem impressões, Joan conhece Martina, professora de medicina da universidade. O primeiro encontro dos dois deixa Joan encantada pela colega, que parece não perceber o interesse deste por ela. E então, após Martina expor seu desejo em aprender sobre Filosofia, Joan propõe que ambos, todos os dias, na caminhada do estacionamento até a entrada do prédio principal, antes do início das aulas, reflitam através da filosofia os seus olhares sobre o mundo. Dessa forma, Joan buscará apresentar a médica um curso do amor através da filosofia sentimental em dez encontros.


A partir de então, os capítulos da obra serão intitulados com cada caminhada desses dois professores, trazendo o tema a ser abordado em cada uma. E, meu caro leitor, nesse momento somos literalmente arrebatados por esse livro. Sim, no início eu não sabia muito bem a proposta do autor, o que ele queria ao envolver filosofia em sua narrativa. Afinal, quantos aqui que tiveram aula dessa disciplina gostaram? Poucos, eu diria. Mas, Fernando Moraes me surpreendeu com sua escrita e abordagem. Não se trata aqui de um livro enfadonho sobre os grandes filósofos, mas de uma reflexão sobre as várias formas de amor existente, sobre enxergar o próximo e aceitá-lo do jeito que é, sobre o medo de amar... São tantas as lições trazidas nessa narrativa que se torna difícil falar sem contar o enredo todo.



Enquanto isso, em cada caminhada vamos vemos a aproximação de Joan e Martina, a forma como os dois vão se apaixonando e se encantando um com o outro. E nós leitores vamos aprendendo também sobre os filósofos, como Voltaire, Schopenhauer, Guilles Deleuze, Jean-Paul e outros pensadores, só que de uma forma linda e sublime, que nos incentiva a saber mais desses grandes nomes. 


Além disso, a obra aborda através das reflexões filosóficas temas bem conhecidos por nós, como solidariedade, tolerância, respeito, cidadania e, em especial, sobre as várias manifestações de amor, que são abordados de maneira simples, que nos fazer desejar ter um professor assim como Joan em nossas aulas de Filosofia.



"As paixões imediatistas, todos nós já vivemos isso. Vêm como uma onda do mar e depois vão se esvaindo e perdem a força. Agora, amor não, ele é o próprio mar que, independentemente dos movimentos, mantém o vigor com sua força".

Martina, além de uma mulher independente, mesmo sendo de uma família abastada e ter convivido com a nata da sociedade chilena, é autêntica, não se deixa ludibriar pelo meio que vive, muito menos é nariz em pé por ser quem é. Ao contrário, ela é de uma delicadeza, de uma generosidade linda. Joan por sua vez, nunca teve muitas condições, sempre lutou por tudo que adquiriu na vida, mas isso não o fez se lamentar, mas valorizar cada conquista, as coisas simples da vida. Ele é um cara inteligente, respeitador, que vive a sua vida sem se prender aos padrões da sociedade, muito menos se importar com o julgamento desta. Afinal, a vida é muito mais que relações efêmeras. 


O livro é narrado em terceira pessoa e traz uma linguagem simples, mas ao mesmo tempo envolvente, e um enredo repleto de mensagens profundas, que nos tocam de uma forma emocionante. E eu não poderia deixar de recomendar a sua leitura e parabenizar ao autor por essa obra genial. Obrigada!



1. Fernando Moraes (site do autor)
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